sexta-feira, 15 de junho de 2018

Semelhanças e diferenças entre Getúlio Vargas e Juan Perón.

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Semelhanças e diferenças entre o trabalhismo de Getúlio Vargas no Brasil e o peronismo de Juan Perón na Argentina. 

Getúlio Vargas chegou ao poder por meio de um levantamento militar em 1930 e ficou na presidência do Brasil até 1945. Durante este período Vargas não passou pelo teste das eleições. Ainda assim, aprovou uma nova Constituição em 1934, incentivou um rápido processo de industrialização e desenvolvimento, regulamentou sindicatos, combateu com dureza os movimentos oposicionistas, estimulou a exploração do sertão e promoveu transformações importantes no Estado para que tivesse maior participação nos rumos da sociedade.

Juan Domingo Perón, que também foi militar e participou de um golpe dentro do período mais conservador da democracia argentina, chegou ao poder por meio de eleições, - como candidato aclamado e liberado pelo povo depois de ser preso- e ficou na presidência entre 1946 e 1955, sendo reeleito em 1951 para seu segundo mandato, que não terminou, derrocado pelo golpe de 1955. 

Seu governo foi marcado pela regulamentação dos sindicatos, uma forte aproximação das classes trabalhadoras, a luta contra as oligarquias entreguistas aliadas aos monopólios internacionais, a estatização de ferrovias, empresas de telefonia, petróleo, companhias de eletricidade, e por uma grande melhoria na renda da população. A justiça social, com a marca do "Justicialismo", foi à prioridade do governo de Perón. 
E sobretudo, ao lado do Perón militar, havia uma Eva Perón, a mítica Evita, como radicalizadora de todo o processo.

Ambos dirigentes, Vargas e Perón, foram depostos por juntas militares e voltaram mais tarde ao poder nos braços do povo, eleitos pelo voto direto, e ainda morreram - cada um ao seu modo- ocupando os cargos de presidentes. Vargas esteve à frente da presidência entre 1951 e 1954 quando cometeu suicídio no Catete e Juan Perón voltou a presidir a Argentina em 1973, depois de 18 anos de proscrição e exílio, mas governou apenas 9 meses devido ao seu falecimento em julho de 1974.

Getúlio Vargas se manteve no centro da cena política no período entre as duas grandes guerras mundiais quando o nazi-fascismo protagonizava o auge da sua alternativa como ideologia forte, em meio à tempestade econômica mundial das décadas de 1920 e 1930, colocando o foco das críticas nas teorias do liberalismo, ao tempo que se mostrava um feroz inimigo do comunismo e das esquerdas em geral. Neste contexto, o papel do estado tomava relevância e exigia transformações institucionais significativas. 

Já a era de ouro do peronismo argentino surgiu após a 2ª Guerra Mundial, de encontro ao novo conflito ideológico - e político-social- internacional que entrava em cena, a Guerra Fria. 
O governo "Justicialista" não se posicionou entre os Estados Unidos e nem a União Soviética mantendo sempre uma certa neutralidade; o seu slogan era "nem ianques nem marxistas, peronistas”. Por outro lado, diferente de Getúlio Vargas que a partir do Estado Novo, em 1937, criou um governo ditatorial, Perón não transformou sua presidência num regime de ditadura institucionalizada. O que não o impediu de perseguir opositores de seu governo.

Juan Domingo Perón também jogava nas oligarquias ligadas ao grande capital internacional a culpa pela grande desigualdade social na Argentina daquela época, o desamparo aos trabalhadores e a presença estrangeira, principalmente da Grão Bretanha, que explorava os serviços essenciais do país - ferrovias, redes de energia e exploração do petróleo. 

A partir de 1943 quando Juán Perón participa ativamente do Grupo de Oficiais Unidos (GOU) que derruba o governo de Ramón Castilho encerrando a chamada "Década Infame", iniciada em 1930 com o golpe de estado de Uriburu, década marcada por fraudes eleitorais, repressão aos opositores e corrupção generalizada. Sendo assim, a propagação das ideias nacionalistas, desenvolvimentistas e populares do peronismo nascente enfatizavam a importância das ações e mudanças significativas. 

E tanto no caso de Getúlio Vargas se justificava a importância da estruturação do estado brasileiro como grande prioridade, como no caso de Perón ao priorizar a justiça social ou justicialismo. Esta é uma das diferenças entre o varguismo e o peronismo, as diferenças nas suas prioridades.

Os dois partidos do trabalhismo e o justicialismo.

O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) foi o partido fundado por Getúlio Vargas, a quem deu sustento político, e que existiu durante dois períodos: nos anos democráticos de 1945 a 1965, tendo sido recriado em 1985, após a abertura do regime militar de 1964. 

Também deu apoio ao programa varguista o PSD, que defendia a legislação trabalhista e a intervenção do estado na economia. A primeira comissão diretora do partido, inclusive, foi composta por Getúlio Vargas como presidente, Benedito Valadares, como 1º vice-presidente, e Fernando Costa como 2º vice-presidente. Na prática, porém, Vargas nunca assumiu suas funções, que a princípio ficaram a cargo de Benedito Valadares em caráter interino. 

Tanto o PTB - mais tarde escindido pelos seguidores de Brizola que fundou o PDT- como o PDS não conseguiram sobreviver em popularidade ao seu primeiro líder, o próprio Vargas, ou aos seus seguidores, Jango Goulart e Brizola.

O peronismo, pelo contrário, acompanhou não só os 10 anos dourados dos primeiros governos do seu líder, como se fortaleceu nos 18 anos do exílio, passou pelas crises da morte e sucessão de Perón pela esposa e companheira de fórmula, Isabelita, e sobreviveu a novos sete anos de ditadura genocida (1976-83). 
O peronismo - diferente do seu partido, o Justicialista- nunca deixou de ser um amplíssimo movimento, que abrigou tanto aos herdeiros da Resistência Peronista dos anos do exílio e proscrição, - a Juventude Peronista e as guerrilhas dos Montoneros-, como a bandas fascistas - as Três A do "Brujo" López Rega- antes do golpe de 1976, e depois dele ao neo-liberalismo feroz do presidente Menem, e logo depois viu o retorno a uma proposta desenvolvimentista, nacionalista e popular mais esquerdista e apoiada nos movimentos sociais e pelas correntes mais combativas, com o casal Nestor e Cristina Kirchner, na década de 2003 a 2015.

JV. São Paulo, abril de 2015

quinta-feira, 14 de junho de 2018

A Revolução Cubana, a Sandinista e o socialismo de Allende.

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Três grandes momentos revolucionários na América Latina do século XX.

Depois da Revolução Mexicana - que na realidade foram duas, simultâneas- as revoluções Cubana e Sandinista, e a tentativa frustrada no Chile de Allende, representam projetos que vamos a analisar em suas semelhanças e diferenças:

A Revolução Cubana foi um movimento popular, que derrubou o governo do presidente Fulgêncio Batista, em janeiro de 1959. Como consequência do processo revolucionário, foi implantado em Cuba o sistema socialista, com um governo liderado pelos dirigentes do movimento revolucionário: os irmãos Fidel e Raúl Castro, o Che Guevara e Camilo Cienfuegos, que morreu pouco antes da constituição do governo popular.

A Revolução Sandinista foi uma revolução popular ocorrida na Nicarágua entre 1979 e 1990, dirigida pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) - chamada assim em memória ao líder nacionalista Augusto César Sandino, que depôs o então presidente Anastasio Somoza Debayle. A FSLN liderou a primeira revolução em que se alioaram o cristianismo de libertação e os intelectuais marxistas, e governou o país durante onze anos.

O Governo Allende

Em 1970 salvador Allende foi eleito presidente do Chile pela Unidade Popular. Esse agrupamento político era formado por socialistas, comunistas, setores católicos e liberais do partido Radical e do Partido Social Democrata, e contava com grande apoio dos trabalhadores urbanos e dos camponeses.

O governo Allende pretendia construir uma sociedade socialista em liberdade, pluralismo e democracia, respeitando as instituições burguesas e sem violência popular, e estava comprometido com o processo de nacionalização da economia, a reforma agrária e a elevação do nível de vida dos trabalhadores. Allende e a UP acreditavam que as reformas sócio econômicas graduais iriam fortalecer as massas trabalhadoras e ao mesmo tempo destruir o predomínio econômico e imperialista, a caminho da construção de uma sociedade socialista.

Durante o primeiro ano de governo ocorreram importantes mudanças, como a reforma da Constituição de 1971, que passou a considerar como propriedade do estado todas as riquezas do subsolo, o que incluía o cobre, uma das fontes principais de ingressos das classes dominantes chilenas e seus sócios no exterior.

No entanto, as pressões do imperialismo e das elites chilenas passaram a ser mais sentidas a partir do ano seguinte, com o lock-out dos proprietários de caminhões, responsável pela grave crise de abastecimento que se seguiu, e uma série de boicotes contra o governo popular.

A importante vitória da Unidade Popular em 1970 e as medidas progressistas do governo desde então, porém, não eram garantia de poder completo e total, uma vez que as demais instituições do estado - o Congresso e o Poder Judiciário - continuavam controladas com punho de ferro pela burguesia. As forças da esquerda exigiam maior radicalização para superar os obstáculos, enquanto que os setores conservadores do próprio governo pediam maior flexibilidade para salvar as dificuldades. Nesse sentido Allende incorporou ao ministério alguns militares legalistas, conseguindo uma estabilidade institucional transitória, o que permitiu a Unidade Popular vencer nas eleições para o Congresso Nacional de março de 1973.

A partir de junho desse ano, porém, a reação conservadora ficou mais intensa, produzindo levantes militares, diversos atentados terroristas, greves e lock-outs patronais.

Existiam também as diversas visões internas dentro do governo, uma vez que a Unidade Popular era uma frente política de vários partidos e tendências diferentes da esquerda. Enquanto o Partido Comunista defendia a via pacífica para o socialismo, apoiando as táticas de Allende, o MIR (Movimento de Izquierda Revolucionário) realizava maior pressão pela radicalização, e preparava ações armadas em vista de um processo violento de defesa do poder popular.
Havia no Chile uma ilusão com as Forças Armadas, já que, na história do país quase que não haviam interferido diretamente no processo político. A Doutrina Truman e a Revolução Cubana, porém, fizeram com que núcleos fascistas crescessem dentro da estrutura militar que, apoiada pelos EUA seria a responsável pelo golpe de 11 de Setembro, que derrubou o governo popular.

O golpe começou em Valparaíso com o levante da Marinha no dia 11 de setembro com a adesão, em Santiago, das três armas e do Corpo de Cabineiros, comandados pelo general Augusto Pinochet. Os confrontos terminaram em massacre nos bairros operários e nas fábricas ocupadas, com cerca de dez mil mortos e milhares de prisões; o ataque ao Palácio de La Moneda, onde Allende resistiu e acabou morto, completou a vitória da extrema direita e da CIA sobre as forças populares chilenas.

Semelhanças e diferenças entre a Revolução Cubana e a Nicaraguense.

A revolução em Cuba no final da década de 1950 foi resultado de uma insatisfação popular com o longo processo de dependência político-econômica da ilha caribenha em relação aos Estados Unidos, desde a ruptura dos laços coloniais com a Espanha em 1898. 

A ascensão de Fulgencio Batista ao comando do Estado cubano, por meio de um golpe, em 1952, instaurou uma ditadura apoiada pelo governo dos EUA, o que agravou ainda mais uma situação de ausência de liberdade política, de democracia efetiva e de condições dignas de existência para a maioria da população. Sucederam-se diversas tentativas políticas de caráter insurrecional contra o regime do ditador Batista, até culminar com o assalto fracassado ao quartel Moncada, em Santiago de Cuba, no ano de 1953, e a organização de atividades guerrilheiras em Sierra Maestra, a partir de 1956, até culminar com a tomada do poder pelos revolucionários, em janeiro de 1959. 

A principal figura de oposição a Fulgencio Batista durante todo esse processo, e líder da Revolução Cubana, foi Fidel Castro, que contou com o apoio de distintos segmentos sociais urbanos e rurais, sobretudo destes últimos, insatisfeitos com as condições de atraso econômico e com o autoritarismo governamental amparado por forças imperialistas norte-americanas. Para unir amplos setores da sociedade, o centro de gravidade da revolução ficava, inicialmente, na libertação nacional.  Posteriormente, na tentativa de consolidar as premissas da revolução, à concepção de independência da nação se acrescentou a edificação de uma ordem social inteiramente nova, a sociedade socialista.

A Revolução Cubana foi marcada pela longa duração, e por uma liderança de um pensamento social e político tão consistente que transfere seus resultados e consequências até as décadas mais recentes. Mas, apesar dos êxitos iniciais do processo revolucionário em relação à conscientização e ao enorme envolvimento político e cultural da sociedade cubana, a partir de 1970, já numa segunda fase, o pensamento social sofreu pelas mudanças das condições internacionais, que provocaram a detenção do seu desenvolvimento, e um grande empobrecimento e dogmatização.

Tudo isso teria resultado no endurecimento do controle do Estado em relação à sociedade, na tentativa de manutenção dos preceitos da revolução diante de um cenário de crescimento das críticas ao comando do governo, cada vez mais vinculado às diretrizes políticas e econômicas dos EUA, que agravaram o bloqueio à ilha e incentivaram a participação crescente dos soviéticos na vida da revolução. 

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Por sua vez, na Nicarágua, a Revolução Sandinista de 19 de julho de 1979 foi resultado de um acúmulo de forças sociais heterogêneas – tanto camponeses, como operários, e pobres e marginalizados em geral da cidade e do campo, intelectuais e setores progressistas da burguesia nacional – em torno de um objetivo comum: acabar com a ditadura da família Somoza no país, e abrir caminho para a emancipação da sociedade nicaraguense da oligarquia local e do imperialismo dos Estados Unidos. 

O movimento de caráter popular e anti-imperialista da oposição ao governo de Anastasio Somoza Debayle foi canalizado pelo grupo politicamente mais organizado, a Frente Sandinista de Liberación Nacional. O FSLN dotou a luta popular de uma perspectiva revolucionária, que culminou com a revolução de 1979 e encerrou décadas de ditadura somozista na Nicarágua. O movimento revolucionário se inspirou em Augusto César Sandino, líder guerrilheiro dos anos 1920 e 1930, que combateu contra a ocupação norte-americana no país.

Assim como em Cuba, os termos do socialismo na Nicarágua foram adotados ao longo e no transcorrer da rota de desenvolvimento da questão nacional nicaraguense. Também em comum com as estratégias revolucionárias praticadas duas décadas antes em Cuba houve, na Nicarágua, a opção decidida pela luta armada.

Tanto a Revolução Cubana de 1959 como a Revolução Sandinista de 1979 tiveram um impacto eletrizante, que repercutiu muito além das fronteiras de ambos os países, levando à proliferação de movimentos socialistas e nacionalistas, a maioria deles armados, em diversas regiões da América Latina, durante as décadas de 1960, 70 e 80.

A diferença das ações tomadas contra Cuba, a partir da revolução sandinista, os EUA reagiram ao avanço popular com embargos econômicos e financiaram as milícias armadas dos chamados “Contras”, organização paramilitar formada pelos setores que tinham se beneficiado da ditadura somozista no passado, e organizaram um exército que colocou o país em situação de guerra novamente. O financiamento dos “Contras” provocou uma séria crise no governo Reagan que propiciou desvios de recursos não autorizados pelo Congresso. 

Depois de anos de batalhas, os EUA e o exército mercenário dos Contras conseguiram desgastar o governo popular. A população, cansada de guerra, exigia paz e optou pela articulação conservadora nas eleições de 1990. Um pleito presidencial financiada também pelos estadunidenses e questionada internamente e fora do país. A FSLN se transformou num partido político de esquerda, legalizado e as conquistas da revolução sandinista foram perdidas pela ausência de incentivos ao pequeno agricultor que perdeu as terras conquistadas, pelo aumento da taxa de analfabetismo, o que levou a que os índices de desenvolvimento ficassem no segundo pior da América Latina, a dependência econômica aos EUA, como um país sem soberania. 

As lições desta revolução mostram as características da luta de classes e do projeto popular numa realidade social em que a democracia foi conquistada às duras penas, mas onde não foi o suficiente para manter um projeto popular e de soberania nacional.

Essas duas experiências revolucionárias - a cubana e a sandinista- foram analisadas também por renomados escritores, como Julio Cortázar, Mario Benedetti e Eduardo Galeano.

Javier Villanueva, São Paulo, agosto de 2011.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Junio de 1918: la Reforma Universitaria de Córdoba.


El “Manifiesto Liminar”

El emblemático texto de la reforma universitaria se publica en número extraordinario de La Gaceta Universitaria, revista de la Federación Universitaria de Córdoba (FUC). Lleva el título “La juventud argentina de Córdoba a los hombre libres de Sud América”, y está firmado por un grupo de estudiantes que protagonizaron los sucesos. Pero no lleva la firma de quien se considera su verdadero autor, Deodoro Roca.
El documento cristaliza los principales postulados reformistas, y expresa una profunda crítica a una universidad conservadora, y a un régimen académico que la ha llevado a “mediocrizar la enseñanza”, a cerrarse y combatir la ciencia.


La Reforma Universitaria, nacida en Córdoba, Argentina, en 1918, constituyó uno de los movimientos de transformación universitaria más relevantes en la historia de las instituciones educativas superiores de América latina. Democratizó el gobierno de las universidades, y abrió la posibilidad a los sectores medios de acceder a un título universitario.
Sus postulados promueven la gratuidad de la enseñanza universitaria, el cogobierno de las universidades (con participación estudiantil y de profesores en los órganos de gobierno de la universidad), la autonomía universitaria, la libertad de cátedra y la extensión universitaria. Su impacto se extendió por universidades de Argentina y de América latina, como Perú, Chile y México.

Mientras en Europa se desarrolla la 1° Guerra Mundial, en 1916 Hipólito Irigoyen asume en Argentina la Presidencia de la Nación. 
Un año más tarde, en octubre de 1917, estalla la Revolución Rusa y cae el régimen zarista. 
En Córdoba, mientras tanto, los estudiantes se movilizan cuestionando la legitimidad del rector y de los decanos, a la vez que denuncian los reglamentos universitarios, a los que calificaban de vetustos y autoritarios, pero las presentaciones estudiantiles fueron rechazadas reiteradamente. En diciembre, el Centro de Estudiantes de Medicina de la Universidad de Córdoba impugna la supresión del internado en el Hospital de Clínicas, “por razones de economía y moralidad que no existen”.
Más adelante, en marzo de 1918, los estudiantes cordobeses continúan con sus protestas. Se organiza el Comité Pro-Reforma, presidido por Ernesto Garzón, Horacio Valdéz y Gumersindo Sayago. El Consejo Superior decide “no tomar en cuenta ninguna solicitud estudiantil” y el rector cierra las puertas de la llamada Casa de Trejo.
El 11 de abril se conforma la Federación Universitaria Argentina (FUA), con representantes de las universidades de Tucumán, Santa Fe, Córdoba. La Plata y Buenos Aires, presidida por Osvaldo Loudet. Ese mismo día y ante la gravedad de los sucesos que se producían en Córdoba y luego de recibir a los dirigentes estudiantiles, el presidente Yrigoyen decreta la intervención de la Universidad y designa a Nicolás Matienzo para ejercerla.
Matienzo reformó el Estatuto reemplazando al de 1893, al que calificó de restrictivo. La nueva Asamblea Universitaria fue convocada para el 31 de mayo. Durante ese mes se eligieron democráticamente los decanos de las tres facultades que existían entonces (Derecho, Medicina y Ciencias Exactas), triunfando los partidarios de la Reforma. Emilio Caraffa fue proclamado vicerrector y se trasladó para el 15 de junio la elección del Rector. Estos antecedentes indicaba que ese día Enrique Martínez Paz, abanderado de la Reforma, sería consagrado Rector. Sorpresivamente y olvidando el compromiso contraído con los estudiantes, los consejeros eligieron a Antonio Nores, candidato de la asociación clerical “Corda Frates”. Los estudiantes, sintiéndose traicionados, irrumpieron en el salón e impidieron la consumación del acto. Enseguida declararon una nueva huelga.
El 17 de junio, Nores asume el rectorado y se registran hechos de violencia. La Federación Universitaria de Córdoba reclamó su renuncia y el 21 de junio se difunde el célebre Manifiesto a los Hombres Libres de Sudamérica, redactado por Deodoro Roca, uno de los líderes del movimiento estudiantil. Ante las protestas y las movilizciones, el 11 de julio el Consejo Superior clausura la Universidad.
El 21 de julio inicia sus sesiones el Primer Congreso Nacional de Estudiantes, convocado por la FUA en Córdoba, proclamando la necesidad de autonomía, gobierno tripartito, asistencia libre, régimen de concursos y periodicidad de la cátedra, entre otras demandas. Ante la ingobernable situación, Antonio Nores renunció al Rectorado, acompañado por numerosos profesores. Se suceden las manifestaciones estudiantiles y el gobierno de Irigoyen, haciéndose eco de las protestas, designa como interventor en la Universidad de Córdoba a José Salinas, quien da lugar a muchas aspiraciones estudiantiles, como la reforma del estatuto, y acepta la renuncia de numerosos docentes. 
Fue entonces que muchos reformistas accedieron a las cátedras, entre ellos Arturo Capdevila, Deodoro Roca, Arturo y Raúl Orgaz.
El ideario de la reforma se proyectó en América Latina. A mediados de 1920, Gabriel del Mazo, presidente de la Federación Universitaria Argentina, firmó un convenio con su par de la Federación de Estudiantes del Perú. Allí se comprometieron a intensificar el intercambio intelectual, a solidarizarse con la reforma de la enseñanza, a luchar por el sostenimiento de universidades populares, a propagar el ideal de americanismo y a realizar periódicamente congresos internacionales estudiantiles.
En diciembre del mismo año, se firmó otro acuerdo con los estudiantes de Chile. También se organizó el Primer Congreso Nacional de Estudiantes del Perú, que pidió la creación de la Universidad Popular y recomendó la organización de escuelas de indígenas.
A este Congreso siguió la convención de estudiantes de Chile y el Primer Congreso Internacional de Estudiantes, celebrado en México, en 1921. En esa oportunidad, se hizo hincapié en la lucha por la justicia político-económica, la difusión de la cultura, la solidaridad estudiantil, el establecimiento de universidades populares, el cogobierno y la asistencia libre. De esta manera, en la década del 20, la Reforma se había puesto en marcha en toda Latinoamérica.
https://unlp.edu.ar/historia/especial_reforma_1918_cronologia-4220

terça-feira, 5 de junho de 2018

"No Caminho com Maiakóvski", de Eduardo Alves da Costa, y otros apócrifos famosos. 1ª parte.

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"No Caminho com Maiakóvski", de Eduardo Alves da Costa, y otros apócrifos famosos. 
1ª parte.

Esta semana, luego de una republicación en Facebook de un texto mío sobre "No Caminho com Maiakóvski", de Eduardo Alves da Costa, que confieso no haber conocido hasta entonces, y que yo, como tantos otros, atribuía a Vladimir Maiakovski, dos amigas intervinieron para sacarme del equívoco. 

La primera, Elizabeth Lorenzotti, y enseguida  Claudio Willer Claudia Ferraz que - amigos que son de Eduardo Alves da Costa- no solo ratificaron lo dicho por Elizabeth, sino que además contactaron de inmediato al autor, que me escribe y solicita que publique el siguiente texto de aclaración de todo el "imbróglio" alrededor de su poema (JV):



"Não se trata de uma recriação. Nem de uma recriação de Brecht nem do pastor. A começar pelo título, "No Caminho com Maiakóvski", fica evidente que Maiakóvski não ia escrever um texto sobre a caminhada com ele mesmo.

Contudo, como sempre foi utilizado apenas um trecho e graças ao equívoco de Roberto Freire, psicanalista, que o utilizou como epígrafe no seu livro "Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatú", surgiu essa confusão que perdura até hoje. 

O poema na íntegra se encontra no livro "No Caminho, com Maiakóvski" publicado pela Geração, na antologia "Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século XX" de José Nêumanne Pinto e em várias outras antologias. Após a utilização do poema na novela de Manoel Carlos Mulheres Apaixonadas, e de inúmeras outras publicações e citações do poema, este equívoco é apenas um resquício desse equívoco absurdo.

Eduardo chegou a encomendar a obra completa de Maiakóvski em vários volumes, publicada na França, para provar a quem interesse, que o poema não se encontra lá.

O autor agradeceria que Javier esclarecesse isso aos seus leitores. As obras citadas talvez ainda possam ser encontradas em alguns sebos ou até mesmo na Amazon. Caso ele não encontre, terei prazer em lhe enviar o texto.
Uma observação: o texto por ele utilizado para a tradução tem um erro: "rouba-nos a luz" em vez de rouba-nos a lua, erro esse de digitação quando o poema foi publicado pela primeira vez na Revista Civilização Brasileira. Logo depois o autor excluiu o penúltimo verso "e como não dissemos nada" por achá-lo redundante.

Abraços Eduardo (Alves da Costa)"

Y va aquí el texto, en español, que circula en las redes desde que ellas existen, y que yo pretendía vincular a otros dos, supuestamente inspirados - o inspiradores- según las diversas versiones, del texto original en portugués de Eduardo Alves da Costa:  

“La primera noche,

ellos se acercan
y toman una flor de nuestro jardín.
No decimos nada.
La segunda noche
ya no se esconden,
pisan las flores,
matan a nuestro perro
y no decimos nada.
Hasta que un día,
el más frágil de ellos,
entra solo a nuestra casa,
nos roba la luna,
y conociendo nuestro miedo,
nos arranca la voz de la garganta.
Y porque no dijimos nada,
ya no podemos decir nada”.


Este poema, - identificado popularmente como la denuncia y la advertencia a la llegada sutil del fascismo dentro del tejido roto de una sociedad cansada y derrotada- circula en muchísimos sitios-web de lengua española, e incluso en ruso, con el nombre de "Libertad de Expresión", y es atribuido a Vladimir Maiakovski, poeta ruso soviético (1893-1930).
Pero, como bien dice Elizabeth Lorenzotti y lo confirma José Luis Regojo, venezolano catedrático e investigador:
"La poesía, guste o no, es, como todo en la vida, política. Eso debieron pensar tanto Alves da Costa, Maiakovski, Brecht o Niemöller cuando se vieron envueltos en la turbulencia del poema o poemas que vamos a comentar a continuación.
El tiempo ha hecho que un poema que se viene repitiendo a lo largo de los años tenga diversos títulos, autores y versiones. Investigas y cada vez la autoría se complica más, pero lo que aquí nos interesa es el mensaje que nos transmite el poema. Después, la elección de su autor y título es del lector.
Empezamos por el que parece que es el original del poema polémico, un fragmento a su vez del poema “No caminho com Maiakovski”, de Eduardo Alves da Costa, (Niterói, Rio de Janeiro, 6 de marzo de 1936)" (J. L. Regojo).

El texto, equivocadamente atribuido al ruso y comunista Maiakovski, es el que -según algunos, habría sido reescrito más tarde por Bertolt Brecht y según otros, reinterpretado por un pastor luterano alemán después de la guerra, y como vemos al inicio, el propio Eduardo Alves da Costa lo cuestiona y detalla los porqués de la confusión- inspiró otro escrito, el de más abajo:

"Primero se llevaron a los comunistas,
pero a mi no me importó porque yo no lo era;
enseguida se llevaron a unos obreros,
pero a mí no me importó porque yo tampoco lo era;
después detuvieron a los sindicalistas,
pero a mí no me importó porque yo no soy sindicalista;
luego apresaron a unos curas, pero como yo no soy religioso,
tampoco me importo.
Ahora me llevan a mí, pero ya es demasiado tarde".

Bertolt Brecht, poeta y dramaturgo alemán (1898-1956)

Como dije antes, otros le atribuyen este último texto al pastor alemán Martin Niemöller, que en 1966 ganó el Premio Lenin de Paz. En la década de 1980, el pastor fue conocido por un antiguo sermón que él profiriera, poco después de terminados los horrores de la 2ª guerra mundial, y que se consideró una adaptación del poema erróneamente atribuido a Vladimir Maiakovski, "Libertad de expresión" o "Cuando los nazis vinieron atrás de los comunistas", aquí presentados luego de las justas aclaraciones de Eduardo Alves da Costa. Veamos un poco más:
Tal vez, como en el caso de otros, atribuidos a autores como J.L.Borges o a G.G. Márquez, el texto famoso en cuestión sea nada más, y como tantos, apenas mal atribuido; es lo que llamamos un texto apócrifo; en este caso, perteneciente supuestamente a una creación de Bertolt Brecht, cuando en realidad su autor fue Eduardo Alves da Costa, aunque para muchos parece haber sido Martin Niemoeller, el pastor luterano alemán. 
La cita auténtica, originalmente parte de un sermón en la Semana Santa de 1946 en Kaiserslautern, Alemania, dice así:

"Cuando los nazis vinieron a buscar a los comunistas,
guardé silencio, porque yo no era comunista,
Cuando encarcelaron a los socialdemócratas,
guardé silencio, porque yo no era socialdemócrata
Cuando vinieron a buscar a los sindicalistas,
no protesté, porque yo no era sindicalista,
Cuando vinieron a buscar a los judíos,
no protesté, porque yo no era judío,
Cuando vinieron a buscarme,
no había nadie más que pudiera protestar."

Martín Niemöller (1892 -1984)

Otra de las citas del pastor Martin Niemöller es también muy conocida es:
"El amor al prójimo no conoce límites ideológicos ni confesionales".

Algo que bien puede servir a nuestras épocas de odios homofóbicos, ideológicos y políticos.


Javier Villanueva, São Paulo, 10 de febrero de 2014/ 4 de junio de 2018.

Ver más sobre textos apócrifos en:

http://javiervillanuevaliteratura.blogspot.com/2016/10/o-tempo-e-as-jabuticabas-instantes-el.html

http://javiervillanuevaliteratura.blogspot.com/2016/10/segundo-tomo-falso-del-ingenioso.html

http://javiervillanuevaliteratura.blogspot.com/2017/04/la-muerte-anunciada-de-gabriel-garcia.html

segunda-feira, 4 de junho de 2018

El Espejo Enterrado. Carlos Fuentes. 1ª parte.


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EL ESPEJO ENTERRADO

Colón, mas que oro, le ofreció a Europa una visión de la Edad de Oro restaurada: “estas serán las tierras de Utopía, el tiempo feliz del hombre natural”. Colón había descubierto el paraíso terrenal y el buen salvaje que lo habitaba. ¿Por qué, entonces, se vio obligado a negar inmediatamente su propio descubrimiento, atacar a los hombres a los cuales acababa de describir como “muy mansos y sin saber que sea mal, ni matar a otros, ni prender y sin armas”; y a darles caza, esclavizarlos y aun enviarlos a España encadenados?

Al principio Colón dio un paso hacia la edad dorada. Pero pronto, a través de sus propios actos, el paraíso terrenal fue destruido y los buenos salvajes de la víspera fueron vistos como “buenos para les mandar y les hazer trabajar y sembrar y hazer todo lo otro que fuera menester”.

Desde entonces, el Continente Americano ha vivido entre el sueño y la realidad, ha vivido el divorcio entre la buena sociedad que deseamos y la sociedad imperfecta en la que realmente vivimos. Hemos persistido en la esperanza utópica porque fuimos fundados por la utopía, porque la memoria de la sociedad feliz está en el origen mismo de América, y también al final del camino, como meta y realización de nuestras esperanzas.

La crisis que nos empobreció también puso en nuestras manos la riqueza de la cultura, y nos obligó a darnos cuenta de que no existe un solo latinoamericano, desde el Río Bravo hasta el Cabo de Hornos, que no sea heredero legitimo de todos y cada uno de los aspectos de nuestra tradición cultural. Esta tradición que se extiende de las piedras de Chichen Itza y Machu Pichu a las modernas influencias indígenas; y de la pintura y la arquitectura del Barroco Colonial a la Literatura Contemporánea de Jorge Luis Borges y Gabriel García Márquez; y de la múltiple presencia europea en el hemisferio – Ibérica, y a través de Iberia, mediterránea, romana, griega y también árabe y judía – a la singular y sufriente presencia negra africana. De las cuevas de Altamira a los grafitos de Los Ángeles. Y de los primerísimo inmigrantes a través del Estrecho de Beríng, al más reciente trabajador indocumentado que anoche cruzó la frontera entre México y los Estados Unidos.

LA VIRGEN Y EL TORO

A través de España, las Américas recibieron en toda su fuerza la tradición mediterránea. Porque si España es no sólo cristiana, sino árabe y judía, también es griega, cartaginesa, romana, y tanto gótica como gitana. Quizás tengamos una tradición indígena más poderosa en México, Guatemala, Ecuador, Perú y Bolivia, o una presencia europea más fuerte en el Caribe, en Venezuela y en Colombia, que en México o Paraguay. Pero España nos abraza a todos; es, en cierta manera, nuestro “lugar común”. España, la madre patria, es una proposición doblemente genitiva, madre y padre fundidos en uno solo, dándonos su calor a veces opresivo, sofocantemente familiar, meciendo la cuna en la cual descansan, como regalos de bautizo, las herencias del mundo mediterráneo, la lengua española, la religión católica, la tradición política autoritaria – pero también las posibilidades de identificar una tradición democrática que pueda ser genuinamente nuestra, y no un simple derivado de los modelos franceses o angloamericanos.

Varios traumas marcan la relación entre España y la América española. El primero, desde luego, fue la conquista del Nuevo Mundo, origen de un conocimiento terrible, el que nace al estar presentes en el momento mismo de nuestra creación, observadores de nuestra propia violación, pero también testigos de las crueldades y ternuras contradictorias que formaron parte de nuestra concepción. Los hispanoamericanos no podemos ser entendidos sin esta conciencia intensa del momento en que fuimos concebidos, hijos de una madre anónima, nosotros mismos desprovistos de nombre, pero totalmente conscientes del nombre de nuestro padre. Un dolor magnífico funda la relación de Iberia con el Nuevo Mundo: un parto que ocurre con el conocimiento de todo aquello que hubo de morir para que nosotros naciésemos: el esplendor de las antiguas culturas indígenas.

En nuestras mentes hay muchas “Españas”. Existe la España de la “leyenda negra”: inquisición, intolerancia y contrarreforma, una visión promovida por la alianza de la modernidad con el protestantismo, fundidos a su vez en oposición secular a España y todas las cosas españolas. En seguida, existe la España de los viajeros ingleses y de los románticos franceses, la España de los toros, Carmen y el Flamenco. Y existe también la madre España vista por su descendencia colonial en las Américas, la España ambigua del cruel conquistador y del santo misionero, tal y como nos los ofrece, en sus murales, el pintor mexicano Diego Rivera.

El problema con los estereotipos nacionales, claro está, es que contienen un grano de verdad, aunque la repetición constante lo haya enterrado. ¿Ha de morir el grano para que la planta germine? El texto es lo que está claro y ruidoso a veces; pero el contexto ha desaparecido.

El mapa de Iberia se asemeja a la piel de un toro, tirante como un tambor, recorrida por los senderos dejados por hombres y mujeres cuyas voces y rostros, nosotros, en la América española, percibimos débilmente. Pero el mensaje es claro: la identidad de España es múltiple. El rostro de España ha sido esculpido por muchas manos: ibéricos y celtas, griegos y fenicios, cartagineses, romanos y godos, árabes y judíos.

Dos hechos llaman la atención cuando visito Altamira. Uno es que la bóveda donde están pintados los bisontes estaba sellada ya en la oscuridad durante el Alto Paleolítico. El otro es que esta cueva solo haya sido descubierta en 1879, por una niña de cinco años, llamada Maria de Santuola, que jugaba cerca de la entrada. Pero de la oscuridad sin tiempo de Altamira, lo que emerge es el toro español que enseguida se posesiona, hasta este día, de la tierra. Su representación se extiende desde los toros yacientes de Osuna, que datan de la época ibérica y los siglos IV y III A.C., a la espléndida representación celta de los toros guardianes de Guisando, que pudieron ser firmados por Brancusi, al toro Negro en los anuncios que hoy se encuentran en todos los caminos de España, invitando a consumir el brandy de Osborne. Pero la representación moderna del toro español acaso culmine con la cabeza trágica del animal que preside la noche humana de la Guernica de Pablo Picasso.

LA CONQUISTA DE ESPAñA
UNA CIUDAD ASEDIADA

Particularismo, Guerra de guerrillas, individualismo. Plutarco escribe que los comandantes españoles se rodeaban de un grupo de leales llamados “solidarios”, quienes consagraban sus vidas a la del jefe, muriendo con este. Pero, al descubrir que los iberos rehusaban la federación, que sentían lealtad solo hacia su tierra y sus jefes, los romanos fueron capaces de derrotarlos de una manera semejante a la que habrían de usar para derrotar al Azteca y al Inca: gracias a la tecnología superior, desde luego, pero gracias también a recursos superiores de información. Al darse cuenta de que los pueblos mexicanos eran un mosaico de particularismos sin alianzas más amplias que la fidelidad a la localidad y al jefe, Cortés derroto a los aztecas de la misma manera que Roma derrotó a los iberos.

LA ESPAñA ROMANA

Se ha dicho que el genio de Roma en España fue que nunca impuso un esquema absolutista, totalitario, sino que promovió el cambio, la apertura, la mezcla y la circulación. Los acueductos llevaron el agua de los valles fluviales a las áridas mesetas, de la misma manera en que la ley y la lengua auspiciaron un creciente sentido de comunidad.

LA RECONQUISTA DE ESPANA
LAS TRES CULTURAS

Aquí yace, también, el santo que, en su lecho agónico, recibió la hostia hincado, con una soga atada al cuello a fin de significar su humildad ante Dios y la profunda conciencia de sus propios pecados. Y aquí yace el humanista que apeló al Papa para proteger a los judíos españoles y salvarles de la obligación de usar estigmatas degradantes en sus ropas.

La tumba de San Fernando ostenta inscripciones en las cuatro lenguas de la continuidad cultural de España: el latín, el español, el árabe y el hebreo, esto es, las lenguas de los tres monoteísmos: el Cristianismo, el Islam y el Judaísmo. A Fernando le gustaba ser llamado el soberano de las tres religiones, igualmente respetuoso de todos los “pueblos del libro”, los Testamentos, el Corán y el Talmud. De esta forma, aunque la practica política le impulsaba a combatir a los moros, su misión espiritual fue la de reconocer la singularidad europea de España como la única nación donde judíos, cristianos y moros convivían.

Pero la coexistencia cultural, en tanto política explicita de un monarca español, alcanzó su verdadero apogeo durante el reino del hijo de San Fernando, Alfonso X De Castilla, quien en 1254 le otorgó su cedula a la mayor universidad de España en Salamanca y creó su biblioteca, convirtiéndola en la primera biblioteca de Estado con un bibliotecario pagado por el gobierno. De tal manera, la universidad y la biblioteca de Salamanca son el digno símbolo de un rey que en su propio tiempo fue llamado El Sabio.

El rey Alfonso trajo a su corte a un grupo de intelectuales judíos, así como traductores árabes y trovadores franceses. A sus pensadores árabes y judíos encargó traducir la Biblia al español así como el Corán, la Cábala, el Talmud y los cuentos indostánicos. Con los intelectuales judíos escribió la monumental “Summa” de le Edad Media española que incluye la compilación legislativa, “Las siete partidas”, el tratado judicial, “El fuero real”, los tratados de Astronomía y las dos grandes historias de España y del mundo. La corte tricultural de Alfonso incluso tuvo tiempo de escribir el primer libro occidental sobre un juego árabe, el ajedrez, (cuyo movimiento mas definitivo, el jaque mate, es una traducción del árabe, “Shah’kakh maat”, “matad al Shah”.

El propósito de esta extraordinaria hazaña de la inteligencia medieval fue consignar todo el conocimiento accesible en ese tiempo. En este sentido, fue una continuación de la labor previa emprendida en Sevilla por San Isidro. El resultado fue una suerte de enciclopedia antes de las enciclopedias que tan de moda se pusieron en el siglo XVIII. Pero el hecho más llamativo es que el rey de Castilla tuvo que llamar a la inteligencia judía y árabe para cumplir esta tarea. Y no es menos elocuente que los escritores judíos hayan sido quienes insistieron en que las obras se escribiesen en español y no, como era entonces la costumbre académica, en latín, porque el latín era la lengua de la cristiandad. Los judíos de España querían un conocimiento diseminado en la lengua común a todos los españoles: cristianos, judíos y conversos. La futura prosa de España proviene de la corte de Alfonso y es, en esencia, el lenguaje de las tres culturas. Dos siglos después del rey sabio, los judíos continuaban usando la lengua vulgar para leer las escrituras, comentarlas, escribir la filosofía y estudiar astronomía. Puede decirse que los judíos fijaron y circularon el uso de la lengua española en España.

1492 EL AñO CRUCIAL

LA EXPULSI ÓN DE LOS JUDIOS

Las consideraciones que guiaron a la política de Isabel y Fernando no sólo fueron religiosas. Su interés incluía aumentar el caudal de la monarquía con la expropiación de la riqueza de las más industriosas castas de España. Es verdaderamente irónico que los beneficios inmediatos que la Corona unida recibió fueran apenas una pitanza comparados con lo que, mediata e inmediatamente, perdió. En 1492, de una población total de siete millones, sólo había en España medio millón de judíos y conversos. Sin embargo, una tercera parte de la población urbana estaba formada por descendientes de judíos. El resultado fue que un año después del edicto de expulsión, las rentas municipales de Sevilla descendieron 50 por ciento y que Barcelona conoció la bancarrota municipal.

TODO ES POSIBLE

“Todo es posible”, escribió el humanista italiano Marsilio Ficino, “Nada debe ser desechado. Nada es increíble. Nada es imposible. Las posibilidades que negamos son tan sólo las posibilidades que ignoramos”.

Aun más significante, acaso, es la tragicomedia La Celestina, escrita por Fernando de Rojas después de la expulsión de los judíos. Rojas, descendiente de judíos conversos, escribió su obra maestra siendo un estudiante y desde la Universidad de Salamanca. Es la historia de una vieja trota conventos, sus pupilos, dos jóvenes amantes y los criados de ambos. Es una obra itinerante, situada en las calles de una ciudad moderna desamparada, sin muros, puentes levadizos o fosas de defensa, una ciudad moderna protegida, vista por Rojas como la coladera de la realidad histórica, donde los vicios y virtudes ejemplares de la moralidad medieval son derrotadas por los intereses, el dinero, la pasión y el sexo. Todos los personajes de La Celestina gastan inmensas energías en idas y venidas, en misiones y embajadas relacionadas con esas pasiones. Pero toda esta energía termina en la inmovilidad absurda de la muerte.

La Celestina es producto de la Universidad de Salamanca, el centro de enseñanza más grande de España, que se concibió a si misma como una alternativa humanística a la creciente ortodoxia e intolerancia de la Corona. Cuando el 1499 y después de múltiples dudas, Rojas finalmente decidió publicar su libro, poseía una conciencia aguda del duro destino de sus hermanos judíos. El mundo es el cambio, proclama La Celestina, nada sino cambio, pero junto al azar, el cambio lleva a todos a un final amargo y desastroso. Este es el libro que, de acuerdo con Ramiro de Maeztu, le enseñó al pueblo español a vivir sin ideales. El Arcipreste y Fernando de Rojas son humanistas que se atreven a soñar y a advertir, celebrando la acción humana, pero también señalando claramente sus peligros. La expansión de Europa, primero hacia el Oriente y enseguida hacia el Occidente, fue, en cierto modo, una hazaña de la imaginación renacentista.

Fue también el triunfo de la hipótesis sobre la percepción de la imaginación sobre la tradición.

VIDA Y MUERTE DEL MUNDO INDÍGENA

El estado sucesor de los toltecas, y la Nación final del antiguo mundo mesoamericano, fue el de los aztecas. La larga marcha de los aztecas desde los desiertos de Norteamérica, desde Arizona y Chihuahua hasta el centro de México, se fijó en la visión de un águila devorando a una serpiente sobre un nopal en una isla en un lago. Los aztecas fueron conducidos hasta este lugar por su feroz dios de la Guerra, Huitzilopochtli, cuyo nombre significa “El Mago Colibrí”, y por su sacerdote, Tenoch. Cuando llegaron al sitio predestinado, fundaron su ciudad, Tenochtitlan, sobre las islas y pantanos de los lagos, en el año 1325. A la ciudad le añadieron un prefijo, “México”, que significa “el ombligo de la Luna”. Es la más Antigua ciudad viva de las Américas. De acuerdo con las crónicas, los aztecas eran despreciados por los habitantes previos del valle central, descendientes de los Toltecas, quienes llamaron a los aztecas “el último pueblo en llegar”, “todos los persiguieron”, “nadie quería recibirlos”, “carecían de rostro”.

Y, sin embargo, por debajo y por encima, pululando cerca de los dioses, los sacerdotes y los guerreros, existía en Meso América toda una sociedad, vivaz y sensible, circulando alrededor de las pirámides y creando los valores de la continuidad cultural de las Américas. Esta tradición habría de convertirse en una de las más fuertes realidades con las que estas sociedades darían respuesta al encuentro con Europa.

Quetzalcoatl fue el principio dador de vida de la sociedad azteca, en oposición a Huitzilopochtli, artífice de la Guerra y de la muerte. Tan importante para el mundo indígena como Prometeo o Ulises para el mundo mediterráneo, o Moisés para la cultura judeocristiana, Quetzalcoatl también fue un exiliado, un viajero, un héroe que se fue y prometió regresar. Como los otros, su mito vive a través de múltiples versiones y metamorfosis, pero trascendiéndolas y enriqueciéndolas todas.

Los grandes festivales del mundo azteca no eran sino la expresión externa, ceremonial, de un tiempo en el que la naturaleza y el destino se daban la mano, eran vividos como mito y, como mito, no solo representados sino vitalmente creídos. Ningún ejemplo mejor que el de una de las versiones de la leyenda de Quetzalcoatl, transmitida al padre Bernardino de Sahagún en México por sus informantes indígenas. De acuerdo con esta versión del mito, uno de los dioses menores del panteón indígena, un ser oscuro y eternamente joven llamado Tezcatlipoca, cuyo nombre significa “El Espejo Humeante”, les dijo a los otros demonios: “Visitemos a Quetzalcoatl, y llevémosle un regalo.” Se dirigieron al palacio del dios en la ciudad de Tula y le entregaron el regalo, envuelto en algodón. “¿Qué es?”, preguntó Quetzalcoatl mientras desenvolvía el obsequio. Era un espejo. El dios se vió reflejado y gritó. Creía que, siendo un dios, carecía de rostro. Ahora, reflejado en el espejo enterrado, vio su propio rostro. Era, después de todo, la cara de un hombre, la cara de la criatura del dios. Así, Quetzalcoatl se dio cuenta de que al tener un rostro humano, debía, también, tener un destino humano.

Los demonios nocturnos desaparecieron vociferando alegremente y Quetzalcoatl, esa noche, bebió hasta el estupor y fornicó con su hermana. Al día siguiente, lleno de vergüenza, se embarcó en una balsa de serpientes navegando hacia el Oriente. Prometió que regresaría en una fecha fija, Ce Acatl, el día de la caña en el calendario azteca.

Cuando los tiempos del destino y la naturaleza coincidían bajo un símbolo de pavor, el universo indígena era sacudido hasta las raíces y el mundo entero temía perder su alma. Esto es exactamente lo que ocurrió cuando, después de una espantosa serie de augurios, el capitán español Hernán Cortes desembarcó en la costa del Golfo de México, el Jueves Santo de 1519.

EL REGRESO DE QUETZALCOATL

Llegó en el tiempo previsto: Ce Acatl, el año Uno Cania, precedido por un año de portentos en el mundo azteca. Las aguas del lago sobre el cual estaba construida la ciudad de Tenochtitlan, se agitaron formando inmensas olas, derrumbando casas y torres. Los cometas recorrieron durante largas horas los cielos. Los espejos reflejaron un cielo lleno de estrellas en pleno mediodia. Extrañas mujeres deambularon por las calles a la medianoche, lamentando la muerte de sus hijos en la perdida del mundo. Aun los aliados más cercanos del emperador azteca Moctezuma, después de observar el firmamento noche tras noche, admitieron que las profecías estaban a punto de cumplirse, que el mar, la Montana y el aire mismo temblaron con premoniciones. Quetzalcoatl iba a regresar.

La profecía del dios rubio y barbado iba a convertirse en realidad. Tan seguro estaba de ello el rey de Texcoco, que abandonó su reino, despidió a sus ejércitos y le recomendó a sus súbditos disfrutar del poco tiempo que les quedaba. Y el emperador Moctezuma, que rara vez repetía el uso de su ropa y era atendido por una multitud de doncellas, inició una larga penitencia barriendo su palacio con una escoba y vestido sólo con taparrabos, mientras los augurios del desastre se acumulaban sobre la ciudad aterrada. ¿Estaba acaso terminando el tiempo del Quinto Sol?

La angustia de Moctezuma tuvo un alivio pasajero cuando un mensajero llegó desde la costa y le dijo al rey que desde el oriente se habían acercado casas flotantes, y en ellas se veían hombres vestidos de oro y plata, y montados sobre bestias con cuatro patas. Estos hombres eran blancos, barbados, algunos de ello incluso rubios y de ojos azules. Moctezuma suspiró. Había terminado el tiempo de la angustia. Los dioses habían regresado. La profecía se había cumplido.

MI LENGUA

Pero Hernán Cortes no se veía a si mismo como un dios. El era un hombre y su voluntad de acción le movía a actuar de manera humana, empleando hasta el extremo su sagacidad y su información. En la primavera de 1519 Cortes había zarpado de Cuba con una expedición de 11 navíos. A bordo viajaban 508 soldados, 16 caballos y varias piezas de artillería. El Jueves Santo, ancló sus barcos frente a la costa del Golfo y fundó la ciudad de Veracruz, en nombre del emperador Carlos V. Pocos días más tarde, otro emperador, Moctezuma, recibió las noticias de la costa. ¿Quién era este capitán español, que repentinamente se vió tratado como un dios?

Al principio, hubo escaramuzas constantes con las tribus de la costa. Sus caciques pronto se dieron cuenta de que los extranjeros, quienes quiera que fueran, no eran fáciles de derrotar en el campo de batalla. Venían armados de relámpagos, mandaron decir los informadores indios, y escupían fuego. Los caciques les entregaron regalos de oro y otros objetos preciosos para contentarlos. Pero un día, le fue presentado a Cortes un tributo bien distinto: un obsequio de 20 esclavas llego hasta el campamento español y entre ellas, Cortes escogió a una.

Descrita por el cronista de la expedición, Bernal Díaz del Castillo, como mujer de “buen parecer y entremetida y desenvuelta”, el nombre indígena de esta mujer era Malintzin, indicativo de que había nacido bajo signos de contienda y desventura. Sus padres la vendieron como esclava; los españoles la llamaron Dona Marina, pero su pueblo la llamo La Malinche, la mujer del conquistador, la traidora a los indios. Pero con cualquiera de estos nombres, la mujer conoció un extraordinario destino. Se convirtió en “mi lengua”, pues Cortés la hizo su intérprete y amante, la lengua que habría de guiarle a lo largo y alto del imperio azteca, demostrando que algo estaba podrido en el reino de Moctezuma, que en efecto existía gran descontento y que el imperio tenia pies de barro.

Entre sus deberes como soldado de la cristiandad y la ilusión indígena de que Cortes era un dios, el capitán español hubo de afirmar, finalmente, su identidad verdadera. Pero si su imagen divina comenzó a desteñirse, su habilidad militar se reafirmó en las batallas contra las fuerzas de Tlaxcala, en las afueras de la Ciudad de México. Los valientes tlaxcaltecas, ferozmente independientes del poder de Tenochtitlan, no querían cambiar una dominación por otra. Desafiaron a Cortés pero fueron aplastados una vez más, a pesar de su número superior, por la avanzada tecnología de los europeos.

CORTÉS Y MOCTEZUMA

Rara vez se ha dado un encuentro de personalidades tan contrastantes en la historia. Fue el encuentro entre un hombre que lo tenía todo y un hombre que nada tenía. Un emperador comparado con el Sol, cuyo rostro estaba vedado a sus súbditos, y poseedor del título de Tlatoani, que significa “el de la gran voz”. Y un soldado sin tesoro más grande que su ingenio y su voluntad. Pero a Moctezuma lo gobernaba su propia voluntad. El español alcanzaría sus metas en contra de todos los obstáculos.

Pronto descubrió que Moctezuma tenía recamaras en su palacio donde hasta las paredes eran de oro. Cortés pagó la hospitalidad del monarca indígena tomándolo prisionero y derritiendo el oro. En todas partes mandó destruir los ídolos y en su lugar erigió altares cristianos. Y su lugarteniente, Pedro de Alvarado, después de hacerle trampas a Moctezuma en el juego de dados, perpetró la matanza de una población desarmada y desnuda en el festival religioso de Tlatelolco.

¿Eran estos realmente dioses? Finalmente, el pueblo mexicano dijo que no. Eran invasores extranjeros crueles y codiciosos y podían ser derrotados. Durante la Batalla de la Noche Triste, la insurrección indígena, encabezada por el sobrino de Moctezuma, Cuauhtemoc, arrojó a los españoles afuera de Tenochtitlan. Muchos se ahogaron en los canales tratando de escapar con las bolsas llenas de oro. El propio Cortes se sentó el pie de un árbol y lloró. Pero construyó barcos en el lago para reiniciar el ataque y regresó, convencido de que la ecuación de información más tecnología superior acabaría por garantizar el triunfo europeo.

Después de un sangriento sitio, en 1521, Cortés finalmente sometió a la capital azteca. Fue, en palabras de Hugh Thomas, una de las grandes batallas de la historia. Pues no sólo destruyo el más grande centro del poder indígena y religioso en Norteamérica hasta aquel tiempo. También escenificó, en las figuras de Cortés y Moctezuma, uno de los grandes choques entre civilizaciones opuestas que el mundo jamás haya visto.

La conquista de México fue algo más que el asombroso éxito de una banda de menos de 600 soldados europeos frente a un imperio teocrático. Fue la victoria de los otros indios en contra del soberano azteca. Fue la victoria del mundo indígena contra si mismo, puesto que los resultados de la conquista significaron para la mayor parte de los indígenas, exterminio y esclavitud. Pero también fue, como habremos de ver, una derrota del propio conquistador. ¿Se entenderá algún día la conquista de México como una derrota del vencedor y del vencido, a fin de poderla considerar, al cabo, como una victoria de ambos?

Cuando Moctezuma y su imperio se hundieron en las aguas sangrientas de la laguna, el mundo indígena desapareció para siempre, sus ídolos rotos y sus tesoros olvidados, enterrados todos bajo las iglesias barrocas cristianas y los palacios virreinales, pero por encima de este drama se pueden escuchar, como murmullo en la historia, las voces de conquistadores y conquistados.

Todas las sociedades indígenas de las Américas, a pesar de sus múltiples fallas, eran civilizaciones jóvenes y creativas. La conquista española detuvo su movimiento, interrumpió su crecimiento y las dejo con un legado de tristeza, elocuente en las visiones de los vencidos, recopiladas por Miguel León-Portilla.

La tristeza de los acontecimientos fue cantada por los poetas del mundo indígena derrotado:

¿A donde iremos ahora, amigos míos?

El humo se levanta, la niebla se extiende.

Llorad, mis amigos.

Las aguas están rojas.

Llorad, oh, llorad, pues hemos perdido a la nación azteca.

El tiempo del Quinto Sol había terminado. Acaso los propios conquistadores podían hacerse eco de estas palabras, pues lo que primero habían admirado, enseguida lo habían destruido. Pero cuando todo había terminado, cuando el emperador Moctezuma había sido silenciado por su propio pueblo, cuando el propio conquistador Hernán Cortes, había sido silenciado por la Corona de España que le negó poder político en recompensa a sus hazañas militares, quizás sólo la voz de la Malinche permaneció. La intérprete, pero también amante, la mujer de Cortés, La Malinche estableció el hecho central de nuestra civilización multirracial, mezclando el sexo con el lenguaje. Ella fue la madre del hijo del conquistador, simbólicamente el primer mestizo. Madre del primer mexicano, del primer novo hispano de sangre española e indígena. Y La Malinche parió hablando esta nueva lengua que aprendió de Cortés, la lengua española, lengua de la rebelión y la esperanza, de la vida y la muerte, que habría de convertirse en la liga más fuerte entre los descendientes de indios, europeos y negros en el hemisferio americano.

LA CONQUISTA Y LA RECONQUISTA

DEL NUEVO MUNDO

Los españoles salieron corriendo de las casas donde se habían escondido. La acompañante india, sorprendida, trato de proteger al Inca. Los españoles les cortaron las manos mientras sostenían la litera de Atahualpa. Ni un sólo soldado español fue matado o herido. Como en la conquista de México, una doble enajenación – la información divina y la falta de tecnología avanzada – habrían de derrotar a la nación quechua. Noticias divinas: en su lecho de muerte, el padre de Atahualpa, el inca Huayna Capac, había profetizado que un día llegarían por el mar hombres barbados a destruir el mundo de los Incas.

Estos hombres serian mensajeros de la deidad indígena central, Viracocha, quien, como Quetzalcoatl, creó a la humanidad y luego navegó hacia el Occidente, prometiendo regresar. La falta de tecnología determinó aun más el destino de los incas. En las palabras del historiador británico contemporáneo, John Heming, los ejércitos indígenas del Perú “nunca pudieron producir un arma que pudiese matar a un jinete español montado y armado”.

Para rescatar su libertad, el emperador capturado ofreció a Pizarro oro suficiente para llenar una gran sala, hasta la altura de un hombre. Cuando el oro llegó, los conquistadores lo derritieron. En cuanto a Atahualpa, la promesa de Pizarro no fue cumplida. Prisionero, al Inca le fue dada, simplemente, la oportunidad de escoger entre ser quemado vivo como pagano, o convertirse al cristianismo antes de ser estrangulado. Escogió el bautizo. Se dice que sus últimas palabras fueron: “Mi nombre es Juan. Ese es mi nombre para morir”.

UNA MAGIA ORGANIZADA

La conquista del Perú fue sumamente paradójica. Fulminante como una guerra relámpago moderna, dio la impresión de terminar en el instante en que comenzó, con la captura y ejecución de Atahualpa por Pizarro en 1532, seguida por el rápido avance español sobre un país comunicado por un esplendido sistema de caminos. Pero el hecho es que a pesar de sus éxitos iniciales, la conquista del Perú fue un acontecimiento prolongado, mucho más largo que la conquista de México. Prolongado, en primer termino, por la oposición indígena. Organizándose lentamente tras la muerte de Atahualpa, la resistencia floreció entre 1536 y 1544, atosigando constantemente a los españoles hasta la muerte del jefe indígena, Manco Inca, y reanudada por sus descendientes hasta que uno de ellos, Tupac Amaru, fue decapitado por los españoles en 1572, 40 años después de la emboscada de Pizarro al inca Atahualpa en Cajamarca.

Pero quizás el mayor enigma de esta cultura fue conocido en nuestro propio tiempo y gracias al aeroplano. Pues sólo desde el aire puede el ojo humano distinguir las líneas de Nazca, el colosal diseño geométrico que nos envía su misterioso mensaje desde las profundidades del tiempo. Las líneas de Nazca, inscritas en los valles del sur del Perú, constituyen un misterioso telegrama acerca de la vida y la muerte de la antigüedad peruana, y como las líneas del destino en una palma humana, continúan velándonos las verdades sobre esa tierra. Sin embargo, su propio enigma nos desafía a proporcionarle un sentido a una cultura que, basada en la magia y la cosmovisión, al mismo tiempo podía proponer y renovar la relación de los seres humanos en la sociedad con semejante precisión y aun, a veces, éxito.

BAJO EL SIGNO DE LA UTOPIA

Para Vespucio, Utopía no es el lugar que no existe. Utopía es una sociedad y sus habitantes viven en comunidad y desprecian el oro: “Los pueblos viven de acuerdo con la naturaleza”, escribe en su Mundus Novus de 1503. “No poseen propiedad; en cambio, todas las cosas se gozan en comunidad.” Y si no tienen propiedad, no necesitan gobierno. “Viven si rey y sin ninguna forma de autoridad y cada uno es su propio amo”, concluyó Américo, confirmando la perfecta Utopía anarquista del Nuevo Mundo para su audiencia renacentista europea.

Los trabajos forzados, las enfermedades europeas y el simple y brutal choque cultural, destruyeron a la población indígena del Caribe. Algunas estimaciones de la población India en el México central calculan números tan grandes como 25 millones en vísperas de la conquista, sólo la mitad 50 años más tarde, “y solo algo más de un millón en 1605”, de acuerdo con Bárbara y Stanley Stein, en su libro “La herencia colonial de la América Latina”.

LAS INDIAS ESTAN SIENDO DESTRUIDAS

Los conquistadores y sus descendientes, muy a propósito, fueron situados por la Corona en la posición jurídica de usurpadores. Y de las Leyes de Indias se dijo que semejaban la red de la araña, que captura a los criminales menores, pero permite que los grandes escapen libremente.

UNA RED DE CIUDADES

Las ciudades se transformaron también en centros de una nueva cultura. La primera universidad del Nuevo Mundo, se fundo en Santo Domingo en 1538, y las universidades de Lima y la Ciudad de México en 1551, mucho antes que la primera universidad en las colonias inglesas de América, Harvard College, fundado en 1636. La primera imprenta de las Américas fue instalada en la Ciudad de México por el tipógrafo italiano Giovanni Paoli (Juan Pablos) en 1539, en tanto que la primera imprenta angloamericana fue inaugurada por Stephen Daye en Cambridge, Massachussets, en 1638.

Esta filosofía fue determinante para la cultura política de la América Latina, en virtud de que durante 300 años, todos, de México a la Argentina, asistieron a la escuela política de Santo Tomás. Y en ella aprendieron, de una vez por todas, que el propósito de la política, su valor supremo, superior a cualquier valor individual, era el bien común. Para alcanzarlo se requería la unidad; el pluralismo era un estorbo. Y la unidad sería alcanzada de manera superior gracias al gobierno de un solo individuo, no a través del capricho de múltiples electores. En una de las once capillas de la iglesia de Santo Domingo en Oaxaca, Santo Tomás de Aquino preside desde el cielo las verdades políticas básicas destiladas en el corazón de la América española.

Pero la insistencia en que el bien común es otorgado desde arriba mediante la concesión autoritaria, aseguró que esta filosofía política sólo podría ser modificada desde abajo a través de la revolución violenta. Nuevamente, los principios y las prácticas de la democracia fueron pospuestos.

No obstante, la Corona era capaz de tomar iniciativas sumamente ilustradas, tales como la temprana creación de escuelas para los indígenas mas dotados, que eran miembros de la aristocracia de las naciones derrotadas. En el Colegio de Tlatelolco en México, por ejemplo, los jóvenes indígenas aprendían español, latín y griego, demostrando la excelencia de sus estudios.

Pero, al cabo, el experimento fracasó, primero porque irritaba a los conquistadores tener súbditos indios que sabían más que ellos, pero sobre todo, porque los conquistadores no querían indios que tradujesen a Virgilio, sino indios que trabajasen para ellos como mano de obra barata en las minas y en las haciendas.

¿CUALES CREES QUE FUERON LAS ACONSECUENCIAS DE INTERRUMPIR LA EDUCACION SUPERIOR DE LOS INDIGENAS EN LA COLONIA? (LLAMADO A LA ACCIÓN)

PADRE Y MADRE

La maravillosa capilla de Tonantzintla cerca de Cholula, en México, es una de las más llamativas confirmaciones del sincretismo como elemento dinámico de la cultura de la contraconquista. Lo que aquí ocurrió se repitió a lo largo y ancho de la América Latina. Los artesanos indígenas recibieron grabados de los santos y otros motivos religiosos de manos de los evangelizadores cristianos, quienes les pidieron reproducirlos dentro de las iglesias. Pero los antiguos albañiles y artesanos de los templos indígenas querían hacer algo más que copiar. Deseaban celebrar a sus dioses viejos, al lado de los nuevos dioses, pero esta intención hubo de enmascararse mediante una mezcla del elogio de la naturaleza con el elogio del cielo, fundiéndolos de manera indistinguible.

Tonantzintla es, en efecto, una recreación indígena del paraíso indígena, blanca y dorada, la capilla es una cornucopia de la abundancia en la que todas las frutas y flores del trópico ascienden hacia la cúpula, hacia el sueño de la abundancia infinita. El sincretismo religioso triunfó y, con él, de alguna manera, los conquistadores fueron conquistados.

En Tonantzintla, los indígenas se pintan a si mismos como ángeles inocentes rumbo al paraíso, en tanto que los conquistadores españoles son descritos como diablos feroces, bífidos y pelirrojos. El paraíso, después de todo, puede ser recobrado.

EL SIGLO DE ORO

Cervantes inventa una pareja dispareja, un hidalgo pobretón que se imagina como un caballero errante de los tiempos antiguos, acompañado por un pícaro, su escudero Sancho Panza: entre ambos tiende un Puente entre los extremos de España, lo picaresco y lo místico; el realismo de la supervivencia y el sueño imperial.

EL HOMBRE DE LA MANCHA

Con su libro Don Quijote de la Mancha, Cervantes funda la novela moderna en la nación que con más ahínco rechaza la modernidad. Pues si la España de la Inquisición impuso un punto de vista único, dogmático y ortodoxo del mundo, Cervantes, esencialmente, imagina un mundo de múltiples puntos de vista, y lo hace mediante una sátira en apariencia inocente de las novelas de caballería. Es más: si la modernidad se basa en múltiples puntos de vista, estos, a su vez, se basan en un principio de incertidumbre. Don Quijote, desde luego, es un hombre de fe, no de dudas, no de incertidumbres, y su certeza proviene de sus lecturas. Su fe se encuentra en sus libros, en sus “palabras, palabras, palabras”.

Cuando Don Quijote abandona su aldea y parte a los campos de La Mancha, deja detrás de él sus libros, su biblioteca: su refugio. Don Quijote es un lector de libros de caballería y cree en la lectura; para Don Quijote, es su locura. Para él, los molinos son gigantes, porque así lo dicen sus libros.

Cuando Don Quijote se levanta derrotado y sale nuevamente a dar batalla, cuando abandonó su aldea, también dejo atrás el mundo bien ordenado de la Edad Media, sólido como un castillo, donde todo tenía un lugar reconocible, e ingresa al valiente mundo Nuevo del Renacimiento, agitado por los vientos de la ambigüedad y el cambio, donde todo está en duda. Don Quijote regresa a su aldea y recupera la razón, pero para él, esto es una locura. Don Quijote, convertido de nuevo en Alonso Quijada, muere.

LAS MENINAS

No estamos solos. Estamos rodeados por los otros. Leemos, somos leídos. No hemos terminado nuestra aventura. No la terminaremos, Sancho, mientras exista un lector dispuesto a abrir nuestro libro y, así, devolvernos la vida. Somos el resultado del punto de vista de múltiples lectores, pasados, presentes y futuros.

Nos otorgan la libertad de entrar y salir de la pintura. Somos libres para ver la pintura, y por extensión, al mundo, de maneras múltiples, no sólo de una manera dogmática y ortodoxa.

Nosotros mismos somos seres que no podemos ser declarados acabados, encerrados dentro de fronteras finitas y ciertas, sino seres incompletos; contribuimos a la creación de un pasado que nuestros descendientes deben mantener vivo si ellos mismos quieren tener un futuro. Lo que imaginamos es tanto posible como real.

LA MANCHA

Todos nos enfrentamos a exigencias abstractas y tratamos de reducirlas a tamaño irónico mediante el absurdo. Todos quisiéramos vivir en un mundo razonable donde la justicia es concreta. Todos somos, a veces, personajes épicos como Don Quijote, pero la mayor parte del tiempo vivimos vidas picarescas como Sancho Panza. Todos quisiéramos significar más de lo que somos. Pero nos ata a la Tierra la servidumbre de comer, digerir, dormir, movernos. San Juan desea trascender todo silencio, mientras Santa Teresa dice: “entre los pucheros anda el Señor”.

Todos somos hombres y mujeres de La Mancha. Y cuando comprendemos que ninguno de nosotros es puro, que todos somos reales e ideales, heroicos y absurdos, hechos por partes iguales de deseo y de imaginación, tanto como de carne y hueso, y que cada uno de nosotros es en parte cristiano, en parte judío, con algo de moro, mucho de caucásico, de Negro, de indio, sin tener que sacrificar ninguno de nuestros componentes, sólo entonces entenderemos en verdad tanto la grandeza como la servidumbre de España, su imperio, su Edad de Oro y su inevitable decadencia.

Nosotros, no vivimos capturados entre el mundo indígena destruido y un nuevo universo, tanto europeo como americano. La Mancha, en verdad, adquirió todo su sentido en las Américas.

EL BARROCO DEL NUEVO MUNDO

UN ESPEJO EN EL QUE CONSTANTEMENTE PODEMOS VER NUESTRA IDENTIDAD MUTANTE

MÚSICA

La rebelión y el lenguaje son parte del continuo de la cultura afro americana, y a ellos se añadió la identidad, espléndidamente persistente, de las conductas rítmicas, los movimientos corpóreos, la estética del cuerpo, la gramática de la música y de la danza. Desde el principio, la música negra autorizó un ritmo privado, autónomo, libre e incluso rebelde, de parte de la audiencia o del danzante, en vez de sujetarles a un esquema dominante, previsible o preescrito, como tradicionalmente era el caso con la música occidental. La música afroamericana, también desde sus orígenes, predijo y practicó las formas de la música moderna en las cuales un centro de referencia tonal termina por quebrarse en múltiples centros, cada uno generando respuestas diversas de quienes escuchan. La polifonía musical fue enriquecida aun más por la imaginación bailable de las culturas negras de las Américas: el baile como representación y el baile como celebración se volvieron indistinguibles el uno del otro. Y a lo largo de toda esta continuidad, el propio cuerpo alcanzó una sensación de realidad, belleza y movimiento, ausentes de los mandamientos restrictivos de la cultura católica, criolla y mestiza del cuerpo.

La gozosa celebración del cuerpo, la creación incesante del lenguaje, la belleza del movimiento y el espíritu rebelde, se suman en un hecho político central señalado por el sociólogo norteamericano Frank Tannenmbaum: la cultura negra, dijo, se había instalado para todos los tiempos en las Américas. Y, sin duda, nada ha identificado tanto a los Estados Unidos y a la América Latina como la imaginación, el habla y los ritmos de nuestra cuenca común de negritud: el Sur de los Estados Unidos y el Caribe, la comunidad cultural que se extendió del Orinoco y el Amazonas hasta el Mississippi, a través de las islas.

Pues ninguna de las culturas del Nuevo Mundo nació en medio de tanto sufrimiento y dolor como la de los hombres, mujeres y niños negros que llegaron al Nuevo Mundo en los barcos de la esclavitud. Aun antes de embarcarse, mucho de ellos trataron de suicidarse.

Y como nadie era más silencioso en la sociedad colonial que las mujeres, quizás sólo una mujer pudo darle voz a esa sociedad, sin dejar de admitir, lúdicamente, las divisiones de su cabeza y de su corazón: “En dos partes dividida/ tengo el alma en confusión: / una, esclava a la pasión, / y otra, a la razón medida”.

Al cabo, su celda monástica no fue capaz de protegerla contra la autoridad masculina y rígidamente ortodoxa, personificada en su perseguidor, el arzobispo de México, Aguiar y Seixas. A los 40 años de edad, se le privó de su biblioteca, sus instrumentos musicales, sus plumas y sus tinteros. Fue arrojada de vuelta al silencio y murió, a la edad de 43 años, en 1695.

Pero había otro elemento de “regresión” y “barbarie” en el campo. Llamados charros en México, guasos en Chile y gauchos en la Argentina, generaron un lenguaje y una imagen que le dio voz y ojos a una cultura aparte de la cultura urbana. Figuras próximas a la naturaleza, machos, fuera de la ley, bandidos a caballo, hombres independientes y solitarios en un paisaje ciego y solitario también nunca lejos de la violencia de la vida social. Sus biografías siempre andan cerca de alguna usurpación de tierras, una violación, una choza en llamas o el pronunciamiento de un caudillo local, sin faltar una o dos intervenciones extranjeras, de manera que el charro y el gaucho están siempre al borde del precipicio de la guerrilla, mirando siempre, a veces ciegamente, hacia el abismo de la revolución. Tradicionalmente, el charro, igual que el gaucho, contaron sus historias mediante canciones. La canción del charro se llama el corrido. Es una derivación del romance medieval y renacentista español, un poema noticioso en octosílabos inserto dentro de una tradición oral constantemente modificada y enriquecida.

El charro, como el gaucho, son los Héctores y Aquiles de la epopeya agraria latinoamericana, una Segunda historia que se afirma, de palabra y de hecho, lejos de las formas convencionales de la civilización y el progreso. El gaucho, como el charro, canta su propia historia. Los payadores de las pampas, al cantar, nos hacen sentir que poseen un poder otorgado por la ausencia de cualquier otro medio de comunicación. Uno de los temas de los payadores es que el gaucho comienza a cantar en el vientre de su madre; nace cantando y muere cantando. Y lo que canta, por supuesto, son sus penas. Sólo una canción puede consolarlas. La canción de los payadores fue el periódico de las pampas. Es el único libro de historia de los gauchos y, finalmente, es la fuente de la más grande obra literaria del siglo XIX en Hispanoamérica, el poema de Martín Fierro, escrito por José Hernández.