sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Futebol e revolução. Marighella e a democracia.





O jovem amigo Walter Falceta Jr. faz uma valiosa contribuição à memória, aquela que sempre chamamos neste blog de “nexo entre a grande História –com H maiúsculo- e os acontecimentos corriqueiros, o nosso dia-a-dia”.
Para os que gostam de futebol e de política, e sobretudo para os que sabem da sutil relação entre os gostos populares e a Utopia revolucionária. Aqui vai, um punhado de pérolas sobre o lutador Marighela, a Democracia Corinthiana e o Sócrates Brasileiro. (JV)


A MEMÓRIA RESGATADA.
Marighella: A MORTE DE UM CORINTHIANO

Há muitos anos, tive como colega de classe a ex-combatente Flavia Schilling. Delicada e generosa, logo se tornou uma amiga.

Flavia, filha de um ex-assessor de Leonel Brizola, era ainda adolescente quando se indignou com as prisões ilegais, torturas e assassinatos cometidos pelos governos de direita na América do Sul. Morando com a família no Uruguai, juntou-se ao Movimento de Libertação Nacional (MLN), ligado aos legendários Tupamaros.

Tinha 19 anos quando foi baleada no pescoço e presa. Ninguém sabe como, mas sobreviveu. Depois, foi barbaramente torturada e sobreviveu.

E assim se passaram 7 anos e meio, até que fosse finalmente libertada.

No Brasil, apresentou-me a Clara Charf, uma senhora doce e sorridente que era nada menos que a viúva do revolucionário resistente Carlos Marighella.


Ela própria estivera exilada por 10 anos e, naquele momento, procurava reassumir seu lugar na luta contra a Ditadura.
Clara foi candidata a uma vaga no parlamento. Mesmo sem recursos, conseguimos que obtivesse 19.560 votos. Não foi o suficiente para se eleger. Mas bastou para que víssemos uma sociedade ainda estava viva na luta contra a opressão.

Naquela época, fazia sucesso a Democracia Corinthiana, que logo animou Clara. Num encontro para avaliação da campanha, perguntei-lhe se Marighella gostava de futebol ou se o considerava o ópio do povo, como diziam alguns intelectuais.

- Imagina, não é ópio nenhum. Se bem compreendido, o futebol liberta. E o Carlos sabia disso.

Ela contou de um tempo em que Marighella esteve na clandestinidade, organizando uma ação do grupo de resistência, sem ouvir rádios ou ler jornais.

Dias depois, segundo ela, Marighella lamentou-se profundamente por não ter elementos para discutir a rodada do campeonato com um taxista.

Clara explicou que, no Rio, Marighella tinha simpatia pelo Flamengo. Quando veio para São Paulo, no entanto, endoidou pelo Corinthians.

Ele pensava que o Brasil faria sua grande revolução se os combatentes tivessem a garra e o amor dos corinthianos, um pensamento que depois seria repetido pelo nosso Sócrates Brasileiro.

Guardei essa informação na memória. Não tinha qualquer prova desse depoimento, tampouco voltei a me encontrar com a bondosa velhinha.

Até que encontrei, recentemente, um estudo do historiador Edson Teixeira da Silva Júnior, "A Face Oculta de Marighella", em que o caso do táxi e a predileção pelo Corinthians são atestados pela viúva.

Pronto. Em minha mente, botei mais um corinthiano na galeria dos grandes brasileiros.

Você vai ouvir por aí que Marighella era um bandido e assassino. Desconfie dessa informação.

Marighella era um mestiço brasileiro. Metade italiano da Emília, metade negro do Sudão, nascido na Bahia.
Era um poeta, gostava de bichos e tinha um lado romântico e elegante.

Só não gostava era de injustiças e preconceitos. Aí, virava um bicho e não tinha medo de brigar.

Sem suas ações diretas contra o regime, muitos resistentes teriam simplesmente morrido na prisão.
Em 1969, Marighella era considerado o "inimigo público número 1" pelo DOPS paulista. Era implacavelmente perseguido pelo delegado torturador Sérgio Paranhos Fleury.

Numa noite de novembro, finalmente as forças da repressão conseguiram encontrá-lo, diante do número 800 da Alameda Casa Branca, em São Paulo.

Na emboscada, Marighella não teve chance de se defender. Foi morto a tiros, numa ação que gerou grandes celebrações nos quartéis de todo o Brasil.

No momento do crime, Corinthians e Santos jogavam no Pacaembu lotado, com portões abertos.

No segundo tempo, os alto falantes anunciaram a morte do líder esquerdista, sem informar seu apreço pela cultura mosqueteira.

O Corinthians goleou o rival por 4 a 1, com dois gols de Rivellino, um de Ivair e outro de Suíngue.

O líder mulato da resistência morreu sem saber o resultado do jogo, que acompanharia por um radinho de pilhas.

Caía, assim, Carlos Marighella, caía um anônimo corinthiano. Mas a luta continuava. A luta sempre vai continuar.



A HISTÓRIA SECRETA DA AÇÃO DIRETA CORINTHIANA PELA ANISTIA

Ontem, por ocasião dos debates em torno das declarações do "sabe-tudo" Emir Sader, o colega Thales Migliari nos brindou com a foto em que a torcida corinthiana desafia os tiranos militares e exibe uma faixa em favor da Anistia Ampla Geral e Irrestrita.

Essa imagem costuma frequentar os debates sobre futebol e política, mas pouca gente conhece os segredos dessa intervenção histórica, ocorrida em 1979, ainda na vigência da Ditadura.

O protagonista do caso é o CORINTHIANO Antonio Carlos Fon, jornalista respeitado e ético, que ganhou os principais prêmios brasileiros da categoria, como o Esso e o Vladimir Herzog.

Mestiço do mundo, Fon é 50% chinês, por contribuição do pai. Pela parte da mãe, tem 25% de sangue índio, 25% de sangue africano.

Foi membro da Aliança Libertadora Nacional, participando ativamente da resistência à Ditadura. Era apelidado de "pequeno grande guerreiro", por ser baixinho, magrinho e destemido.

Foi preso, torturado e respondeu a processo instaurado com base na famigerada Lei de Segurança Nacional.

Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo, no início da década de 1990.

Abaixo, numa fusão de dois depoimentos, um deles para a Fundação Perseu Abramo, ele conta, com suas próprias palavras, como a resistência democrática e a Fiel marcaram um gol de placa contra a repressão:

“ Em 1979, nós parentes e amigos de perseguidos políticos, tínhamos fundado o Comitê Brasileiro pela Anistia.

Mas, a palavra de ordem anistia estava muito restrita aos intelectuais, setores mais politizados e aos familiares e discutíamos muito como levar isso para o povo.

Um dia eu estava conversando com o Chico Malfitani que trabalhava comigo na Veja, e disse para ele: ‘O que precisamos mesmo é levar a palavra de anistia para a torcida do Corinthians, para o povo’.

O Chico era um dos pioneiros da Gaviões e disse: ‘Vamos fazer’. Combinamos fazer isso num jogo Corinthians e Santos.

No dia, o Chico teve um problema familiar e chegou um pouco mais tarde, mas nós entramos, conversamos com o pessoal com quem ele tinha acertado e avisamos somente uma pessoa na imprensa: Osmar Santos, que era um locutor esportivo mais conhecido e de esquerda, ligado às lutas democráticas.

E o Osmar Santos, anunciou: ‘A Gaviões vai fazer uma surpresa quando o time entrar em campo’. E isso levou todas as outras rádios, emissoras de TV e jornais a ficar esperando.

Na hora em que o time entrou, muitos fogos, aquela fumaça... E abrimos a faixa. Na hora que a fumaça baixou estava lá: Anistia Ampla, Geral e Irrestrita.

Quase todo mundo fotografou e isso foi para o Brasil inteiro. E realmente conseguimos o objetivo; só que a PM tentou subir para nos prender.

Quando a polícia começou a subir os degraus da arquibancada, os torcedores da Gaviões da Fiel deram-se os braços e fecharam o caminho.

Os soldados da Polícia Militar ainda tentaram forçar a passagem mas, nas fileiras de trás, milhares de outros corinthianos, braços dados, formando uma massa compacta, começaram a gritar, ameaçando descer as escadarias do estádio do Morumbi.

O comando do policiamento deve ter avaliado a situação e dado uma contra-ordem, porque os PMs recuaram, desistindo de chegar até nós.

- "Eles estavam falando da nossa faixa"- dizia um torcedor ao meu lado, rádio de pilha colado no ouvido, boné e camiseta do Corinthians e um sorriso nos lábios.

Eu jamais o vira antes e nem o encontrei depois, mas nunca o pronome possessivo na primeira pessoa do plural (nossa) me pareceu tão saboroso.

- "Anistia, ampla, geral e irrestrita" – dizia a faixa, e o fato dele a chamar de "nossa" tinha, para mim, pelo menos, um significado que ultrapassava em muito aquela fugaz solidariedade que se estabelece nos campos de futebol entre torcedores do mesmo time: a bandeira era minha e da torcida do Corinthians.

Só que o outro companheiro que tinha levado a faixa, Carlos MacDowell, era santista e ele disse: ‘Fon, não vou ficar assistindo o jogo aqui na torcida do Corinthians. Vou assistir da torcida do Santos’.

Ele desceu e a PM o prendeu. Ele ficou preso pouco tempo, porque já tínhamos um esquema com o advogado Luís Eduardo Greenhalg, que o liberou no DOPS.

O engraçado, é que tive que fazer uma matéria para a Veja e ir ao DOPS para entrevistar o Edsel Magnotti, delegado titular que era quem prendia e torturava a gente.

E aí ele demorou um pouco para me receber. Quando entrei, atrás da mesa dele estava uma ampliação enorme da faixa e eu lá, segurando ela. Era aquela coisa, como se ele tivesse dizendo: ‘Olha aí seu filho da mãe, eu sei que foi você’."


* Naquele jogo, realizado no Morumbi, com público de 108 mil pessoas, Sócrates abriu o placar, aos 26 do primeiro tempo, mas João Paulo empatou para o Santos, 11 minutos depois.

O segundo tempo foi duramente disputado e já se imaginava um empate. Aos 36 minutos do segundo tempo, no entanto, Palhinha marcou e decretou mais uma vitória corinthiana.

Naquele ano, o Corinthians foi campeão mais uma vez!



TRÊS PENSAMENTOS DO ÚLTIMO ENCONTRO COM SÓCRATES BRASILEIRO

- O negócio aqui é que o Corinthians reúne os diferentes, Walter. É isso aqui, eu paraense, paraense de Ribeirão, meio caboclo, você com essa cara de italiano, Falceta, ela com essa delicadeza de japonesa, e a gente trocando uma ideia sobre uma utopia, um utopia que deu certo, que foi a Democracia Corinthiana. Isso é que é bonito.

- O Corinthians não pode ser visto só como um time. É uma coisa muito maior, instituição que tem uma força inimaginável, especialmente na sua torcida, e nós vimos isso na Democracia Corinthiana. A gente via o que tinha de corinthiano com bandeira nos comícios da Diretas Já. Então, o corinthiano, se entendesse sua força, sua força de mobilização, ia poder fazer muito mais por este país.

- O Wlad era um cara fundamental para a Democracia Corinthiana, porque ele organizava, porque ele entendeu logo o que era ser Corinthians, que ser Corinthians era ir muito além. Ele sabia organizar e tinha essa ligação muito viva com o povo, lidava com a linguagem, fazia essa ponte da gestão nossa com o externo. E isso era muito importante para o movimento, que não estava só no clube, ele ia também para a sociedade.


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Paisajes de Catamarca. Recuerdos de padre e hijo.




El baile en San Antonio.

Allá, en un rincón  del   tiempo, está de fiesta el pueblo.  Las Fiestas Patronales de San Antonio.

Las bombas de estruendo despiertan el vecindario, se escucha  el primer repique  llamando a misa; con el tercero dará  comienzo  la ceremonia  santa.
El repique de las campanas tiene el acento propio del campanero: Pedro  le pone música, ritmo; suenan como un malambo  místico.
Así, hombres, mujeres, niños, ancianos con su mejor atuendo, van y vienen  de  la primera  o de la misa de once; en algunos  rostros se ve  la paz: han   limpiado su alma con la confesión.

Las honras al patrono duran nueve dias con sus noches. Cuando el sol se pone  sobre los  cerros, todos  vuelven a la iglesia, especialmente los jóvenes a rezar la novena, también con la esperanza de encontrarse con los ojos de sus sueños.  
Luego de rezar  el Santo Rosario  y de tocar algunos pasajes bíblicos, el sermón será lo inquietante;  con la promesa  del fuego eterno  o en la paz del Señor,  fluctúan  las almas.

Los que viven en pecado, los concubinos, bajan la cabeza allá lejos, escondiendo la mirada cuando son llamados a ordenar sus vidas; siempre queda algún  rebelde para la próxima función.
Así llega  el último día el domingo. Por  la mañana gran actividad  con misas  cantadas, comuniones; la plaza  llena  de gente  de otros pueblos, vendedores de todo, feria de platos, voces nuevas,  las bombas de estruendo que obligan  a los  perros a protegerse debajo de sus amas distrayendo el rezo.
Muchos niños hacen  la primera  comunión, entre ellos, yo. Confieso que pequé; pequé con mis zapatos nuevos, mis medias, mi traje azul, blanca la camisa y el moño al cuello; los guantes blancos y el otro moño en  el  brazo izquierdo, con arabescos dorados. Sí,  pequé  al verme  otro, metido en un envase  que no era el mío, yo  que amaba  la vida, jugando con el  perro y la pelota de trapo. 

Luego de recibir el sacramento, almitas  blancas, pedimos la bendición primero a los padres; luego a todo conocido  que  está  cerca,  con  cara  de  santito  y tendiendo  con  timidez  la mano para recibir  la moneda de regalo, mi  padrino me dio una  libreta de ahorro con un peso.

Después de un corto tiempo, a las cinco de la tarde, empieza el  movimiento para la procesión con el santo, los canticos y rezos  acompañando  el vuelo generoso  de  las campanas: más  bombas, al final la despedida con pañuelos y vivas. ¡Viva San Antonio!, ¡Viva!

Empezando la noche, el baile popular con la banda de la Escuela Quintana que había acompañado las ceremonias. La Zamba de Vargas, bailada con la elegancia, las cadencias y el donaire de mi hermana Berta.

Autor: Luis Unzaga, Córdoba, noviembre de 2012.



Despertando en Las Chacras.

Levantarme temprano en Las Chacras, en verano, era algo seguro.  O me despertaba el zumbido de los mosquitos que eran indemnes a todo tipo de químicos, o bien el gallo de turno que cantaba en el gallinero, el cual estaba a escasos cinco pasos de la ventana del antiguo cuarto del abuelo Victoriano. La vieja habitación era de paredes de adobe, de treinta centímetros de ancho, con una pequeña ventanita rectangular, demasiado alta para mi gusto, o será que entonces yo media escasamente un metro y siete primaveras? Tenía unos “barrotes” de madera, supongo para que no entraran animales de gran porte, ya que entonces, los ladrones no cabrían por allí. Es más, dudo que existiera gente con ladinas intenciones. El piso de ladrillones cuadrados, que se mojaban antes de ser barridos con alguna escoba de ramas de ancocha, luego quedaría fresco para la hora de la siesta. 
Sobre una de las paredes, recuerdo, colgaban un par de cuadros. Uno de ellos tenía unas figuras de quién sabe qué santo, rodeado de ángeles bebes, alados, regordetes y conocedores de música, ya que tenían arpas en las manos. El otro cuadro era de San Roque, y lo recuerdo bien, un hombre con túnica, un garrote largo y un perro fiel caminando a su lado. Siempre me quedó la duda, de si mi finado tío Roque había sido bautizado agradeciendo a este santo alguna gracia, o si  San Roque habría sido nombrado conmemorándolo a él, ya que mi pariente amaba más a sus perros que a ninguna otra persona.
Antes que me despertara el gallo, el tío Roque, o Roque a secas, tampoco le mezquinaba a los ruidos a las cinco de la madrugada, ya que encendía la radio para escuchar LRA 7, Radio Nacional Catamarca; comenzaba con sus tareas de curtiembre, y nunca tenía todas sus herramientas prestas, motivo por el cual, siempre entraba a buscar algo en el cuarto donde yo dormía, y al abrir la puerta, esta se arrastraba seca y temblorosamente sobre el piso hasta darle espacio a que entrara toda su anatomía.  El ruido no me despertaba tanto, pero las lamidas en mi rostro del perro compañero de mi tío, eran infalibles.
Era en vano. Entre el canto del gallo, que parecía escupir su garganta cada quince minutos, los mosquitos posándose en mi espalda y el perro lamedor, ya no volvería a conciliar el sueño.  Para entonces ya eran cerca de las seis de la mañana, y con suerte vería salir el sol por arriba del Portezuelo.
Al levantarme, Roque ya estaba en el centro de la galería, no al frente de la habitación haciendo ruido, sino cosiendo algún cuero mientras miraba a la calle y se repartía entre sus fieles canes, entre mimos y pedazos de pan. Los perros, celosos entre sí, gruñían por alguna caricia o una sonrisa de su amo. Cada tanto un tarascón bajo sus pies, y el viejo dando un grito para calmarlos. Él amaba a sus perros, y me daba gracia ver sus gestos al regalarle sonrisas: me recordaba a un viejo samurái, con sus ojos sonrientes cerrados por sus pómulos colorados, y su bigote  excediendo la línea de su mentón. Tenía unos hermosos ojos azules, no bellos como los de mi tía Gringa, pero merecedores de admiración. Su cabello no abundaba en su cabeza, solo lo necesario para confundirse con un fraile, quizás un Franciscano. Sus dedos con uñas largas, poco aseadas y su andar más bien pesado, como arrastrando el tranco, ya sea en uyutas o botas de goma, según el clima. Si prestaban atención, cualquiera podría oírlo murmurar por lo bajo, rezongando quien sabe por qué o quién.
La mañana transcurría entre el trino de las aves y el canto de los coyuyos. Al salir el sol, de a poco hacia brillar las flores amarillas más altas de la legendaria tipa, hasta llegar a las más bajas, que se mezclaban entre las hojas del no joven gomero.  De a poco, la mañana iba adquiriendo su cotidiano ritmo chacarero. 
Para no aburrirme hasta el momento del desayuno, me ponía a regar el frente de la casa, lo cual aseguraba para horas cercanas al medio día, dos grados menos de agobiante calor, y eso era diferencia! Comenzaba por fuera del portón de madera, la calle en si, ya que no había vereda en aquella época, y retrocedía cuidándome de no mojarme los pies. Odiaba el barro entre mis dedos, a menos que fuese época de carnaval, donde todo vale para ensuciar al otro. Continuaba regando hacia adentro, y cada tanto un poco de barro arruinaba mi labor, distraído por mirar las flores del ceibo o el elegante caminar de los horneros, que flexionan sus patas y no andan a los saltos como los tontos gorriones. “No haga barro, changuito!!”  decía Roque desde la galería, y posterior a la orden, refunfuñaba entre dientes.
Poco antes de las ocho, la tía Gringa me llamaba: “Esteban, Esteban, venga a desayunar m’hijo, rápido que se enfría el café.  Tanto amor de esta tía, que sin darme cuenta siquiera si me había madrugado en el despertar, en tres minutos preparaba el mejor desayuno caliente, con pan casero y  jalea de higo de las plantas del fondo de la casa.  Que se va enfriar ese café! Si estaba hirviendo!! me decía para mis adentros, sentado a la mesa y  leyendo un cuadrito en la pared del frente que decía -y que aún no lo entendia- “El casamiento no es nada, la ollita es la condenada”. Y sí que mi tía lo sabia! Las cosas de la casa, se hacían siempre, con o sin ganas, la animalada estaba siempre bien atendida, el almuerzo siempre a la hora indicada, nunca faltaban porciones, siempre se podía repetir, y si llegaban de esas visitas inesperadas, siempre tenía algo listo para convidarles, con la amabilidad que solo la gente del campo sabe hacerlo. Sus manos podían con todo, la cosecha de las uvas, poner los higos sobre el cañizo al sol, recoger los membrillos y luego pasarlos por el tamiz, todas tareas sencillas pero que cansaban a cualquier forastero de la ciudad, y que solo iban de visitas para sentarse a matear un rato y a hablar de finados y próximos. De todas las tías que tuve como “madres”, ella fue la que mejor se portó con semejante sabandija. Siempre con palabras de cariño, con historias llenas de encanto, y con ese abrazo que ninguno de sus sobrinos olvidaría. Nunca.
Al terminar el desayuno, siempre luego de patear algún perro cargoso que se ganaba debajo de la mesa, para ligar un boyo de pan, -sin que me viera Roque, claro- me preparaba para alguna próxima aventura. Podía ser trepando algún árbol, o animarme a investigar que había en esos terroríficos cuartos llenos de cachivaches al costado del gallinero, abarrotados de telas de arañas y cueros llenos de tierra. Cualquier alimaña podía salir de entre las cajas: arañas pollitos, quirquinchos, víboras lampalaguas, una comadreja o dándome flor de susto alguna gallina empollando! la cual salía despavorida y cacareando a mis espaldas ya que yo sería el  primero en embocarle a la puerta de madera y cartón. Al salir del cuarto, ya bajo la viña, solo se verían plumas y polvo.  Diez minutos después, la tonta gallina seguía cacareando a lo lejos. Al escuchar el alboroto de la blanca, Roque aparecía averiguando qué pasaba, si tal vez alguna iguana asesina o un sobrino travieso, que posiblemente se camuflara entre las champas y los pajonales.
Luego del susto, debía desaparecerme de los alrededores de la casa. Ningún escape mejor que caminar bajo la parra en dirección al fondo de la finca, con un perro de la casa que me seguía a todas partes.  Esos típicos animales fanfarrones abundan por doquier.  Caminando hacia el oeste, a pocos metros del alambrado que separaba la propiedad de los Avalos, una jauría nos salió a torear, pero mi compañero los superaba en tamaño, así que los vecinos, mantenían aun, prudente distancia. Si alguno osara atacarme, bien armado iba yo con mi onda de doble tubo que me había regalado el tío Negro, así que nada debía temer. El tema sería encontrar en un terreno recientemente arado y lleno de terrones, una piedra digna de David, las cuales no había previsto juntar en mi bolsillo antes de salir de campaña. Lo mejor, mantenerse alejado.
Antes de llegar al fondo de la propiedad,  pasamos junto a unos ciruelos llenos de frutos, solo comí un par de ellos, ya que conocía los efectos catárticos de los mismos, y no quería pasarme la noche entera en el baño. Que fuera niño no significaba que fuera tonto. Con una vez se aprende.
Al llegar al destino impuesto, las higueras esperaban. Desconozco si estaban llenas de brevas o higos maduros, diferencia que nunca reconocí. Si la planta era una higuera, el fruto era el higo y eso bastaba para mí. La sombra de unos talas y un cañaveral, mantenían a esa hora de la mañana, fresca deliciosa fruta, no como al ciruelo que estaba en plena finca y sin arboleda cerca. Ahora sí podía saborear estas delicias sin temor a que me provocara algún malestar. Me enjuagué las manos en la acequia, quitando el pegajoso jugo lechoso de la cascara de higo, de mis dedos y mi boca y me alistaba para el regreso. Al recuperar fuerzas debido a la caminata de los cien metros hasta el fondo de la casa de los abuelos, mi fiel guardián y yo regresábamos a la casa, esperando que la gallina clueca estuviese callada y hubiese regresado a sus empolles en aquel agujereado cuentón de loza, lleno de paja y plumas del que la espanté. A mis espaldas quedaba el imponente cerro El Manchao, de los pagos del Ambato, de un celeste magistral y esa vez sin sus picos nevados.
Al llegar a la casa, mi perro fiel buscaba aplacar la sed en el balde debajo del grifo, y luego se echaba debajo del jeep IKA verde de Roque,  el que más de una vez sirvió de nido y gallinero a diversas aves de corral.
Mi tía Gringa, luego de notar mi rato de ausencia, desde la cocina me gritaba, “changuito, venga a comer algo” y desde lejos le respondia  “no tía,... yái comío”

Autor: Esteban Unzaga. General Pico, noviembre de 2012.

Nuevas reflexiones después del cacerolazo en Argentina y las elecciones en Brasil.





Otro compañero de los años 70, también de la vieja Izquierda Socialista argentina –al que vamos a llamar “amigo 2”– me escribe y comenta la charla que tuvimos durante la semana pasada con el “amigo 1”, y que publiqué anteriormente. 
J.V.

    "En relacion a los años 60 y 70, en lo que a mí me toca, yo no estuve en la guerrilla solamente porque era medio chiquito; y aparte, los militantes de mi ciudad me convencieron para quedarme con ellos. Ahora, a la distancia, me doy cuenta que le pisamos la cola al león, no digo que haya sido de vicio, porque el sistema se lo merecía, pero sí digo que peleamos como unos boludos, porque eramos un puñado, ese animal era muy grande y las masas estaban en otra cosa.

  Jorge Zabalza (el tupamaro testarudo) dijo algo así como "entramos como a un partido de fútbol contra el estado, las tribunas estaban llenas con las masas, confiábamos que esas tribunas entraran a la cancha y los llenáramos de goles. Desgraciadamente nadie entró a la cancha, y fueron ellos los que nos llenaron a goles".
Hoy por ejemplo resulta que en Argentina, en las fábricas, los trabajadores eligen comisiones internas tremendamente combativas y clasistas, y simultáneamente elevan conducciones para los sindicatos que son totalmente conciliadoras y pro-patronales.

    Las masas se manejan con un sentido de la utilidad individualista que es espectacular. En unos momentos más, en otros menos, pero es así.
Yo me pregunto, ¿qué revolución pueden hacer esas masas?
Por supuesto que sigo pensando que el ser humano puede ser mejor. Es más, hay muy buenas personas que, sin andar con el rótulo en la frente, son en los hechos socialista, comunistas y revolucionarios.

   Hoy por hoy yo me niego a andar como un testigo de Jehová convenciendo a la gente a hacer la revolución. Tambien me niego a convertirme en un individualista con mayusculas.
Entonces ¿qué hago? trato todos los días de obtener cosas para vivir un poco mejor, y eso puedo hacerlo solo o con varios, en beneficio mío o mio y de esos varios. 
   Y creo que por ahí pasa la cosa: pensar y obrar de modo que se puede avanzar de conjunto y no pisarle la cola al león si no tenemos la seguridad de que lo vamos a hacer derrotar.
Acá, en Argentina el gobierno está haciendo muchas cosas que están por delante de lo que le da la cabeza a las masas. Pero también está haciendo muchas cosas equivocadas. Ahora bien, por esto ultimo no lo voy a voltear al gobierno,  porque tiraría por la borda todo lo positivo. 
   Por otra parte, ¿quien tomaria el poder? ¿nosotros? ¿o los reaccionarios que están combatiendo a este gobierno, no por sus errores, que por otra parte los continuarían haciendo, sino por los beneficios, que aunque sean pocos, recibimos los de abajo? 
En síntesis, para mí, todo individuo debería producir riqueza por lo que puede, y recibir riqueza por lo que necesita. (1)
En la cabeza de los individuos no está ese concepto. Al contrario, se trata de producir lo menos posible y de recibir la mayor cantidad (2).
Entonces, andar pregonando las ideas maximalistas es, por un lado, una perdida de tiempo y por otro andar buscando que te derroten.
Lo que sí se puede -y se debe hacer- es luchar por obtener una mejor vida en todos los aspectos y hacerlo colectivamente, respetando los miedos, las dudas y los tiempos de ese colectivo al que llamamos “masas”.

   Finalmente, admito que tal vez estos pensamientos tengan un monton de contradicciones. Por otra parte, no resuelven el enigma más importante que tiene la izquierda desde sus origenes –o por lo menos en mi cabeza- que es la transformacion de la conciencia para pasar de una ideologia individualista (2) a una colectivista (1). Y ahora me pregunto ¿es eso posible? ¿o será que el hombre es el lobo del hombre?

   Bueno Javier, estas son algunas reflexiones, primero desde el corazon, luego desde la cabeza.

Un abrazo, 
tu gran “amigo 2”.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Devórame o te descifro.**







-Devórame o te descifro- me dijiste un día,
y yo me lo creí. Y creí incluso,
iluso,
que me hubieras descifrado.
-Sube, cabálgame –pensé- y dame la ilusión
que al galopar la vida se estira.
Devórame en noches eternas de
pasiones antiguas –soñé-, olvidando cansancios
y paseándome por entre otros viejos sueños interrumpidos.

Pero pasa el tiempo y no logro descifrarte.
Corren los años y sigo esperando,
en vano,
que me devores.

-Descíframe o te devoro- te corregiste,
muchos años después del primer equívoco.
Y yo traté, 
te juro que traté de descifrarte,
ahora que me dabas una nueva oportunidad.

Y entonces te subiste, y cabalgaste,
Catalina. Y al galopar entre cerros y valles,
la vida se estiró.
-Devórame o te descifro- te dije yo, sorprendiéndote,
casi sin darte tiempo
a pensarlo dos veces.
Y aunque no nos desciframos, sí nos devoramos,
volviéndonos eternos-como diría el poeta-
mientras duró.

JV. 20 de Novembro, São Paulo. Dia da Consciência Negra.
      20 de Noviembre, Día de la Tradición y de Martín Fierro.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012





Reflexiones después del cacerolazo en Argentina y las elecciones municipales en Brasil.
Conversaciones privadas –y semipúblicas ahora- con un antiguo compañero de la Izquierda Socialista.

Hace unos dos años leí la reedición del libro “Hombres y Mujeres del PRT-ERP”, que me pareció una especie de "repensarlo todo", por parte de Luis Mattini, el último secretario general de la principal guerrilla marxista argentina en los años de 1970, después de la muerte de Santucho. Y aunque su balance histórico es un poco más que fotográfico, en el prólogo a la última edición sí hace una autocrítica a fondo. Y es exactamente en esa línea que desarrollo ahora algunas ideas a partir del pensamiento –mucho más desplegado que el de Luis Mattini- de un camarada de la antigua Izquierda Socialista argentina, que me hizo llegar estas opiniones que voy a transcribir enseguida.

Lo repensé -al prólogo de Mattini, digo- a lo largo de los últimos años, y tal vez por lo mismo que mi amigo de la izquierda socialista -que me dice "no tengo ganas de dedicar energías a estos asuntos; prefiero hacerlo en torno a temas y movimientos con los que sí me siento involucrado"- no quise salirme hasta ahora de la vieja línea de rever el pasado argentino, e incluso las experiencias brasileñas, con el mismo mirar ideológico que vengo tratando de hacer evolucionar desde 1968. 

Reconozco que a veces me siento un poco incoherente, claro; es que al haber entendido que el trabajo no lo es todo -y mucho menos el dinero y el confort que la vida laboriosa a veces trae- y por haberme metido de cabeza en los relatos históricos o fantásticos e histórico-fantásticos (y divertirme bastante con ellos, es verdad) al mismo tiempo voy descubriendo que el viejo anticapitalismo anarquista -o incluso el espartaquismo luxemburguista, como dirá mi amigo a continuación- estaban tanto más cerca de una visión correcta que la que teníamos en los lejanos años de 1960 y 70.
Pero aún así, siguen las contradicciones en mi cabeza: ¿por qué el revolucionário espartaquista alemán Karl  Liebknecht, oponiéndose a la evaluación correcta de Rosa Luxemburgo de que no se debía intentar tomar el poder en ese momento, se lanza a la huelga e insurrección revolucionaria de los obreros en 1919? Probablemente por el puro seguidismo de la "vanguardia" intelectual a las masas; o porque un revolucionario no puede jamás abandonar a la clase obrera, aún cuando está yendo de cabeza al abismo, como lo fue en esa ocasión, directo a la derrota.

Tal vez al querer meterme en la literatura realista, me cuesta salirme de nuestra justificación más antigua: los  militantes revolucionários argentinos quizás nos equivocamos fiero, si, pero si tuviera que hacerlo de nuevo, lo haría todo igual, en circunstancias similares o parecidas. Pero ¿por qué me cuesta tanto entonces definirme con lo de Argentina de hoy? En 1975 y 76 yo no tenía dudas (¿te acordas, compañero?) y pensaba que había que defender la legalidad y lo poco que sobraba de democracia, aún a riesgo de parecer que apoyásemos a Isabelita –e incluso que algunos camaradas más puristas, como el Bocha, me acusase medio en chiste, medio en serio, de ser “peronista”- si eso nos servía para retrasar el golpe militar y darle tiempo al pueblo para organizarse mejor.
Hoy pienso exactamente igual que un foro español que publicó en estos dias sobre el super-cacerolazo del “8N” en Argentina: la defiendo a Cristina con sus grandes errores y todo, porque fue la voluntad popular, y aunque más no fuera por su política de castigo a los genocidas de la dictadura; pero le doy todo el derecho a la gente a reclamar, aunque sepamos que un 90% de las lideranzas opositoras son de la derecha más asquerosa y peligrosa. Y aún así, confieso que defenderlos a los K me dá un cierto escalofrío. 
Creo sinceramente que la postura de mi amigo de la vieja Izquierda Socialista –y la de Mattini- sobre la descentralización del poder en “muchos poderes” es la más correcta y se viene delineando así en el mundo entero, incluso creando esciciones dentro de la vieja “nueva izquierda” y dentro del propio centro-derecha. La gente del PV en Brasil, por ejemplo, se divide entre los que históricamente apoyan al PSDB -cada vez más conservadores- y el grupo de Marina Silva.

Y sobretodo, coincido con Matinni y ahora con mi viejo, camarada en reconocer que, por desgracia, el viejo ciclo de “lucha-reformas-revoluciones-retrocesos-nuevas luchas” tal vez nunca termine. Quizás la historia no sea realmente aquella flecha progresista lanzada hacia la definitiva liberación de la sociedad y la creación de un Hombre y Mujer Nuevos.
Probablemente la antigua idea positivista de los liberales de los siglos XVIII y XIX, y la otra más cercana a mis simpatias, la de los anarquistas y socialistas revolucionários del siglo XX, no sean tan realistas, sino un deseo progresista –o un desarrollismo de izquierda- que quiere ver a la ciencia ocupando el lugar de la superstición y los fanatismos religiosos, y a las clases trabajadoras arrancando lo mejor que producen –las riquezas materiales y culturales- de las manos de los parasitos sociales.

Tal vez, repito, la idea más correcta sea aquella de Mario Benedetti, que un buen día descubrió que la Utopía no es un paraíso, ni mucho menos una estación terminal o final del tren de la historia. Quizás la Utopía sea, como dice Benedetti, una línea, o un mero punto en el horizonte para seguir andando siempre, para nunca parar, para jamás bajar los brazos de la guardia y resistir, siempre atrás de un objetivo mejor para el ser humano, parte indivisible de la naturaleza terrestre y el universo.
JV.



El 10 de noviembre de 2012 me escribió mi amigo:

Querido JV,

(...)
Es verdad que la memoria juega un papel decisivo en la vida. Borges afirma que lo único que nos pertenece es el pasado. Y coincido, porque el presente no es más que un flujo ininterrumpido de vida, del cual -por obvios motivos- no podemos tomar distancia y saber -de verdad- qué cosas estamos afirmando en cada acto. Y el futuro, ni se diga: es una indeterminación absoluta, como no sea algunas previsibles derivas, producto de fuertes trazos de personalidad combinados con circunstancias materiales.”

(Y acá mi amigo viejo y querido de la antigua Izquierda Socialista habla específicamente de nuestra experiencia revolucionaria en los cortos años de 1969 a 1979.JV)

“Otra cosa es si hubiéramos sido capaces de plantear -y así y todo dudo de que hubiera prosperado, por la falta de una praxis común y quién sabe también de sintonía de pensamiento- aprovechar nuestra experiencia para poner en tela de juicio algunas nociones fundamentales que poblaron nuestro accionar político, como por ejemplo:

- la inspiración teleológica (finalista) del marxismo (incluido el trotskysmo y las tendencias más radicales de esta corriente de pensamiento), que le hace concebir el tiempo como una flecha del pasado al futuro, en nítida réplica de matriz hegeliana de creer que hay progreso en la historia. Esto tiene por lo menos dos consecuencias gruesas:

a) no ser capaz de hacerse cargo de la condición trágica de la existencia humana, y trabajar para "el progreso" de la humanidad. Si esto fuera correcto, habría que poder responderse porqué desde Prometeo hasta el presente ha habido gente que se ha resistido a la opresión, sin que se haya conseguido acabar definitivamente con ella. Y no se conseguirá. Y así como es una lucha de la que cuesta averiguar cuándo comenzó, tengo la certeza de que nunca acabará. Esta constatación, en vez de entristecernos, deprimirnos y llevarnos a la inacción, precisamente convoca a redoblar nuestros esfuerzos para ampliar y oxigenar la vida y la existencia. Quien no tiene "ilusiones" o “esperanzas” (etimológicamente viene de sperare) no tiene porqué caer en el escepticismo y la inacción, éstas son hijas de la desilusión, no de la lucidez. Eso sí, no hay "paraíso", ni "futuro" por construir, como no sea que se lo esté haciendo desde la existencia presente, actual e inmediata (inmanentismo). Algunas semanas atrás asistí a un seminario de pensadores posmarxistas en el que pude constatar cómo intentaban encontrar ese lado que llamaron "lo siniestro" de la conciencia humana -paradójicamente- apelando a Freud y a Lacan, dos pensadores claramente escépticos respecto de cualquier movimiento colectivo;

b) en el campo político, su matriz filosófica lo aleja de las nuevas tendencias ecologistas y de economías sostenibles que -afortunadamente- empiezan a abrirse paso con fuerza. Y eso se ve con claridad p,.e. en los conflictos surgidos de um tiempo a esta parte en Argentina con el tema de la megaminería a cielo abierto. Los sindicatos y los compañeros privilegian "el desarrollo" y "el trabajo", mientras los pueblos originarios y los militantes ecologistas, el ecosistema.
Esta misma cuestión aparece exacerbada en Bolivia; lo que pasa es que Evo y García Linera son infinitamente más piolas y de izquierda que Cristina y el FPV, y son capaces de operar esas realidades políticas en complicacio con la maestría de verdaderos revolucionarios (en estos días leí una entrevista bien ilustrativa de esto, realizada por Página12 a García Linera*). A propósito, recomiendo la lectura de "La Pachamama y el humano", de Eugenio Raúl Zaffaroni (Ed. Colihue y también disponible en PDF por Internet);

- de modo similar: la fantasía de la posible existencia de un "hombre nuevo" que nutrió nuestro ideario, subproducto necesario de lo anterior y de una cierta "religiosidad" de la concepción marxista, donde la iconografía y el teleologismo cristiano están bastante bien sustituidos por una iconografía plebeya y atea, pero no por ello menos religiosa (en el sentido de religare): el comunismo (como paraíso a conseguir), el agente de transformación sería la clase obrera, que vendría a ser lo mismo que "los últimos serán los primeros";

- la noción de "mundo centrado" con que trabaja el marxismo, responde a uma fuerte herencia aristotélico – platônica que padece toda la filosofia clásica occidental y de la cual  el marxismo no consiguió despojarse. Hoy pienso que el mundo es acentrado, de formación rizomática y nomádica (y no bajo la forma del Árbol de Porfirio, como tradicionalmente se lo ha representado);

- también cambió el capitalismo. Pero no sólo de fordista a neoliberal, sino en que se ha convertido en una máquina de capturar flujos en alucinante frecuencia velocitaria. Bueno, pero no voy a seguir con esto porque sería larguísimo.

Por las dudas, te aclaro que mi actual distancia filosófica con el marxismo no me coloca en la vereda de enfrente, sino a su lado. Le debo casi todo lo que aprendi acerca del capitalismo y jamás olvidaré las reveladoras páginas del Manifiesto, así como la asociación que realiza entre trabajo asalariado y el capital, de la cual deviene la plusvalía (una de las nociones más lúcidas y reveladoras en la historia del pensamiento occidental, y una noción imprescindible para cualquier política revolucionaria). Por no citar La preciosidad de “El fetichismo de la mercancia”, entre otras muchas ideas y conceptos que le debemos a Marx.

En el terreno de las concepciones propiamente políticas, entendidas como praxis:
- el papel de las vanguardias en el proceso revolucionario: tengo la impresión de que eso ha cambiado radicalmente en el presente, y ya no hacen más falta (si es que alguna vez, -de verdad- lo hicieron); con lo cual toda la concepción leninista de partido y dirección se vería cuestionada. Creo que -a diferencia de Rosa Luxemburgo y Karl Liebknecht- Lenin tenía una profunda desconfianza hacia las masas y al antenteponerle el "partido de cuadros" esa desconfianza se patentiza. Y tengo la impresión de que hoy en día, una revolución sólo será posible con el concurso de las mayorías (reales, no imaginarias);

- tampoco creo que haga más falta "el partido. Me parece que la izquierda aún no ha sido capaz de sacar las conclusiones necesarias que debería a partir del Mayo ´68 francés y europeo. En esa época nadie -obviamente me incluyo (yo era troskista)- fue capaz de entender uno de los mensajes más claro que dejaba ese movimiento: la profunda crisis de la noción de representación. Y todavía hoy la izquierda sigue sin entenderla. Entre otras cosas, por ese motivo la izquierda española cuestiona al 15-M por supuesta "falta de definición ideológica" (afirmación de una ignorancia y pelotudez grandes como una casa).

Y concretamente, en el caso argentino -y para que no piensas que sólo "me voy por las ramas"- creo uno de los temas fundamentales sobre el que habría que hacer un balance claro y colocar en un justo punto sería el papel de la experiencia guerrillera en el proceso político general. A mi juicio fue nefasta y trajo consecuencias profundamente negativas. Aceleró artificialmente contradicciones y promovió una brutal represión sobre los sectores populares más expuestos -y de mayor importancia- en el proceso político general. Sin contar la soberbia de haber pretendido  sustituir y/o superponerse a la acción de quienes eran los verdaderos agentes revolucionarios: los trabajadores.
De todos modos, quizá por el hecho de -en términos existenciales- estar "lejos" de la tierra que me vio nacer, tampoco tengo ganas de dedicar energías a estos asuntos; sinceramente prefiero hacerlo en torno a temas y movimientos con los que sí me siento involucrado y me hacen sentir presente y vivo: el 15-M, los movimientos sociales autogestionarios que día a día crecen, la posible coordinación de lucha de resistencia intereuropea, "el decrecimiento" (original teoría, aplicable -si es que lo fuera- a los países llamados desarrollados), etc., etc.
Bueno, dejo por aquí. Naturalmente, podría seguir con demasiadas cosas más, pero tengo también otro montón de asuntos pendientes. Me preguntaste "qué tal" y que qué me parecía lo sucedido. Esta es mi respuesta, al menos parte de ella.

Un abrazo fuerte,
Tu gran amigo de la vieja Izquierda Socialista argentina.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Ay, cielo mi cielito lindo...



...danza de viento y juncal, prenda de los 
tupamaros, flor de la Banda Oriental.

Quando se fala do Uruguai, além de pensar nas pessoas simpáticas e no bom tango e a culinária -compartilhados com os vizinhos do outro lado do Rio da Prata- o que se lembra hoje é o presidente José Mugica, homem simples e sincero e suas políticas progressistas, como a liberação do aborto a favor da mulher. 

Devo dizer que não apoio apenas uma das suas decisões, que é a liberação da maconha; sou a favor da liberdade, e uma vida livre passa longe das drogas e o álcool, tanto como o libertário evita a polícia e os fanáticos religiosos.

Mas o presidente Mujica -que abre mão de 90% do seu salário presidencial, vive numa casinha simples e anda de fusca- muitos nem sabem, foi um guerrilheiro Tupamaro.


No Uruguai, da 2ª metade do século XX, o Movimiento de Liberación Nacional -MLN- Tupamaros- foi um grupo armado de esquerda que propunha tomar o poder, e foi derrotado em 1972. 


O que significa Tupamaro?

O nome vem do líder revolucionário Tupac Amaru II -José Gabriel Condorcanqui- que em 1781 liderou uma rebelião indígena no Vice-reinado do Peru, e foi forçado pelos espanhóis a presenciar a execução dos seus amigos, sua mulher e filhos, antes de ser esquartejado. Os colonizadores espanhóis chamavam despectivamente de "Tupamaros" a todos os patriotas que lutavam pela independência. 

O cantor e compositor uruguaio Viglietti, em plena ditadura e a despeito da persecução aos Tupamaros do século XX, fez esta música que brinca com as palavras para não falar diretamente do seu apoio à luta dos rebeldes.


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Franco y los franquistas en su infierno.




El dia 26 de abril de 1937, a las cuatro y media de la tarde, la ciudad española de Guernica, en el país Vasco, fue bombardeada durante más de tres horas, muriendo unas 300 personas, según los historiadores, ya que nunca hubo cifras oficiales. 
La cabeza de un caballo junto a varios cuerpos desmembrados, una madre con su hijo muerto y una lampara, son algunas de las figuras que Pablo Picasso usó en su cuadro más famoso para describir el bombardeo de Guernica, ocurrido durante la Guerra Civil Española.
Pintado en las varias gamas del gris, y en blanco y negro, el cuadro Guernica se convirtió en el símbolo de una ciudad devastada por las bombas de la Legión de Honor alemana Condor y la Aviación Legionaria italiana que combatían a favor del general Francisco Franco.
Los bombardeos, que fueron los primeros de la historia sobre una población civil, tenían como objetivo cortar la retirada y el aprovisionamiento de las tropas de la República en el frente de Vizcaya. Era un test para las fuerzas de Hitler que luego desatarían toda su furia sobre la Europa invadida y sobre Londres durante la Segunda Guerra Mundial.
Aún con este motivo y muchos otros, sabemos que no todos detestaban a Franco, el general golpista que gobernó España durante cuatro décadas. Y todavía hoy, por lo menos entre los que gobiernan el país, hay quienes lo admiran.
Pero quienes lo detestan y abominan lo que su figura representa, lo hacen con una intensidad fuera de lo común, y esto lo convierte al tirano en uno de los personajes más odiados de toda la historia del siglo XX.
Cuando Franco murió, el 20 de noviembre de 1975, los comunistas de España desparramaron por las calles de Madrid, Barcelona, Cádiz, Sevilla, Vigo, Córdoba, Bilbao y otras ciudades, miles de panfletos con el famoso poema de Pablo Neruda: “El general Franco en los infiernos”.
Las maldiciones de Neruda a Franco fueron tan resonantes que causaron sorpresa y perplejidad; y muchos se llevaron la hoja a sus casas, para mostrársela a sus parientes y amigos.
El panfleto contaba que la Segunda República Española había sido derrotada con el golpe de los generales rebeldes comandados por Franco, que desató la cruenta Guerra Civil de 1936 al 39 y preparó las condiciones para las atrocidades de Hitler y Musolini en la 2ª Gran Guerra Mundial.
El primer gobierno socialista y republicano fue elegido popularmente y era una experiencia que ofrecía la esperanza de un nuevo orden. La República abría las posibilidades de una sociedad comunal en la cual las antiguas clases sociales y castas, sus políticas de represión y desigualdades deberían desaparecer.
Ya desde antes de la guerra Hispano-americana con los EEUU, España había dejado de ser una fuerza mundial respetada en el ámbito político y económico; tal vez por esto mismo, las promesas que ofrecía la Segunda República ganaban el interés y un apoyo ideológico combativo de todos los espíritus que compartían una visión progresista.
En América Latina toda, los políticos progresista y la intelectualidad buscaban otra España, radicalmente diferente de aquella conquistadora, y opuesta a su colonialismo cultural, para extender su apoyo al pueblo, y muchos escritores contribuyeron a los esfuerzos republicanos.
Así lo hicieron las voces literarias de César Vallejo y Pablo Neruda. Los dos vivieron de cerca la destrucción física y psicológica que la rebelión franquista provoco en el pueblo español, y ambos sintieron la responsabilidad de relatar lo que vieron y sintieron. 
Las obras que resultaron: “España, aparta de mi este cáliz”, de Vallejo, en 1937, y “España en el corazón”, de Pablo Neruda en 1938, presentan una multiplicidad de hechos, imágenes, visiones y mensajes de simpatía por la República, y de esperanza, ya que se escribieron y publicaron ambos libros antes del final de la guerra. Representaban el anhelo de hacer conocer la lucha de los trabajadores y el pueblo español contra el fascismo. 
La presencia del nombre de Franco en una obra de Neruda y su total ausencia en la de Vallejo nos muestra como se diferencia el tratamiento dado por los dos intelectuales a los protagonistas de la Guerra Civil.
Para Vallejo, a diferencia del chileno Neruda, los golpistas son tan detestables que ni siquiera merecen ser nombrados, y solo aparecen como “ellos” u otra denominación ambigua.
Pablo Neruda, por su parte, les pone adjetivos fuertes, tachándolos de “bandidos”, “chacales”, “víboras”, “crueles”, “sedientos de sangre”, y los insulta repetidamente de “traidores”.  Y en la comparsa traicionera incluye a los banqueros, a los altos oficiales del ejército junto con los jerarcas de la iglesia católica, y a los miembros de la clase alta que contribuyó, apoyado y facilitado el derrumbe del legítimo gobierno popular.

EL GENERAL FRANCO EN LOS INFIERNOS
Desventurado, ni el fuego ni el vinagre caliente
en un nido de brujas volcánicas, ni el hielo devorante,
ni la tortuga pútrida que ladrando y llorando con voz de mujer muerta te escarbe la barriga.
buscando una sortija nupcial y un juguete de niño degollado,
serán para ti una puerta oscura,
arrasada.

En efecto.
De infierno a infierno, ¿qué hay?
En el aullido de tus legiones, en la santa leche
de las madres de España, en la leche y los senos pisoteados
por los caminos, hay una aldea más, un silencio más
una puerta rota.
 Aquí estás. Triste párpado, estiércol
de siniestras gallinas de sepulcro, pesado esputo, cifra
de traición que la sangre no borra. Quién, quién eres,
oh miserable hoja de sal, oh perro de la tierra,
oh mal nacida palidez de sombra.

Retrocede la llama sin ceniza,
la sed salina del infierno, los círculos
del dolor palidecen.

Maldito, que solo lo humano
te persiga, que dentro del absoluto fuego de las cosas,
no te consumas, que no te pierdas
en la escala del tiempo, y que no te taladre el vidrio ardiendo ni la feroz espuma.

Solo, solo, para las lágrimas
todas reunidas, para una eternidad de manos muertas
y ojos podridos, solo una cueva
de tu infierno, comiendo silenciosa pus y sangre
por una eternidad maldita y sola.
No mereces dormir
aunque sea clavados de alfileres los ojos: debes estar
despierto, general, despierto eternamente
entre la podredumbre de las recién paridas,
ametralladas en Otoño. Todas, todos los tristes niños
descuartizados,
tiesos, están colgados, esperando en tu infierno
ese día de fiesta fría: tu llegada.
Niños negros por la explosión,
trozos rojos de seso, corredores
de dulces intestinos, te esperan todos, todos, en la
misma actitud
de atravesar la calle, de patear la pelota,
de tragar una fruta, de sonreír o nacer.
Sonreír. Hay sonrisas
ya demolidas por la sangre
que esperan con dispersos dientes exterminados
y máscaras de confusa materia, rostros huecos
de pólvora perpetua, y los fantasmas
sin nombre, los oscuros
escondidos, los que nunca salieron
de su cama de escombros. Todos te esperan
para pasar la noche.
Llenan los corredores como algas corrompidas.
Son nuestros, fueron nuestra
carne, nuestra salud, nuestra
paz de herrerías, nuestro océano
de aire y pulmones. A través de ellos
las secas tierras florecían. Ahora, más allá de la tierra,
hechos substancia
destruida, materia asesinada, harina muerta,
te esperan en tu infierno.
Como el agudo espanto o el dolor se consumen,
ni espanto ni dolor te aguardan. Solo y maldito seas,
solo y despierto seas entre todos los muertos,
y que la sangre caiga en ti como la lluvia,
y que un agonizante río de ojos cortados
te resbale y recorra mirándote sin término.

Pablo Neruda, “España en el corazón”, 1936-1937.