sexta-feira, 29 de março de 2013

Gramsci e as lutas políticas





¿Quién era Antonio Gramsci? (español)

Poco conocido del gran público, y sobretodo de la juventud, fue un intelectual y activista revolucionario italiano, fundador del Partido Comunista Italiano. Antonio Gramsci nació en Cerdeña en 1891 y murió en Roma, em 1937. Gracias a su hermano y a su enorme capacidad intelectual superó las dificultades de una deformidad física y de la pobreza de su família.

Estudió en la Universidad de Turín, bajo la fuerte influencia intelectual de Croce y los socialistas. En 1913 se afilió al Partido Socialista Italiano, volviéndose dirigente de su ala más a la izquierda. Trabajó en varios periódicos del partido y fundó, junto con Togliatti y Terracini, la revista Ordine nuovo en1919.

Ante la crisis de los socialistas de todo el mundo por el curso triunfante de la Revolución rusa, Gramsci optó por la línea bolchevique y, en el Congreso de Livorno de 1921, se separó con el grupo que fundó el Partido Comunista Italiano. Perteneció al Comité Central del nuevo partido, y lo representó en Moscú en la Tercera Internacional Comunista nacida en 1922. Creó el periódico L’Unità, en 1924, y representó al PCI como diputado en 1924. Fue miembro de la ejecutiva de la Internacional Comunista, y defendió la ortodoxia que empezaba a salir del bolchevismo para dar paso a la burocracia estalinista, expulsando del partido al grupo de Bordiga, acusado de trotskismo em 1926.

Enseguida pasó a la clandestinidad, porque desde 1922 Italia estaba bajo Mussolini, que implantó en 1925 una férrea dictadura fascista. Antonio Gramsci fue detenido en 1926 y pasó  todo el resto de su vida en la prisión, sometido a vejaciones y malos tratos, que se agregaron a la tuberculosis, para hacerle la vida en la cárcel aún más difícil, hasta su muerte por congestión cerebra, en 1937l.
(JV)


Gramsci e as lutas políticas (português)

Para Cristina Bezerra, professora da UFJF e especialista na obra do revolucionário italiano, pensamento de Gramsci contribui para apontar as batalhas que a classe trabalhadora deve fazer no campo das ideias

 “Gramsci coloca que se a hegemonia é um dos elementos-chave para a luta política, para a de classes, ou seja, a classe que quer se tornar dirigente precisa alcançar hegemonia. Então, ela tem diferentes batalhas a serem travadas que não se limitam à esfera econômica, mas que se ampliam para a esfera política. Nesse sentido, existe uma batalha cultural a ser travada”, afirma Cristina Bezerra, professora da Universidade Federal de Juiz de Fora e especialista na obra do revolucionário italiano Antonio Gramsci (1891-1937).
Cristina, no processo de pós-graduação, foi orientada por Carlos Nelson Coutinho, um dos principais responsáveis pela introdução do pensamento de Gramsci no Brasil. Professora do curso de especialização em Economia e Desenvolvimento Agrário, uma parceria entre a Escola Nacional Florestan Fernandes e a Universidade Federal do Espírito Santo, Cristina abordou, em entrevista ao Brasil de Fato, alguns aspectos do pensamento de Gramsci que ajudam a entender o momento atual da luta de classes: a batalha no campo da cultura e das ideias, a necessidade do partido político, e a produção dos intelectuais próprios da classe trabalhadora.

Brasil de Fato – Como surgiu o seu interesse pela teoria marxista do Estado e, em particular, pela obra de Gramsci?

Cristina Bezerra – Surgiu no momento em que fui fazer Serviço Social. A profissão tem essa dinâmica, uma profissão que está inserida na sua quase maioria em espaços públicos de atuação, então o curso de Serviço Social é um curso que aborda muito essa discussão do Estado, da sociedade civil, dos processos de organização da classe trabalhadora, na figura dos nossos usuários. No momento em que fui fazer mestrado e doutorado, meu interesse já era entender o processo da cultura na sociedade capitalista, quais são as formas que a sociedade capitalista encontra para exercer seu poder ideológico e cultural, junto a essa população. Sob a orientação do professor Carlos Nelson Coutinho, eu me aprofundei em Gramsci, e nele essa relação da cultura, da hegemonia, da parte ideológica mesmo, que não se limita a essa concepção mais restrita, ela faz esse debate diretamente com a configuração do Estado nas sociedades mais contemporâneas.

Dentro do debate da disputa de hegemonia, você comentava sobre a dificuldade de os movimentos sociais pautarem hoje sua agenda na sociedade.
 É consensual a ideia de que estamos ainda em um momento de descenso dos movimentos sociais, de descenso das massas, um momento de dificuldade de organização da classe trabalhadora, isso é reflexo do contexto contemporâneo de desenvolvimento do capitalismo. Então, esse momento de dificuldade de pautar determinadas questões é bem em razão do desenvolvimento do capitalismo que vivemos hoje.
Uma classe trabalhadora heterogênea, fragmentada, passando por um processo difícil de organização. E, ao mesmo tempo, temos problemas internos que dificultam a nossa maturidade política, vamos dizer assim: encontrar uma pauta única, levantar questões que de fato mobilizem as pessoas, mobilizem esses movimentos sociais. O principal desafio que a gente tem hoje é de encontrar essa pauta política, é conseguir colocar debates em que a sociedade se envolva de fato e que enxergue as suas contradições nesses debates. Nesse sentido, nós avançamos um pouco, a gente acumulou.
Na história da luta de classes no Brasil, temos a experiência do partido político. No entanto, o neoliberalismo gerou um retrocesso nesse processo. Gerou uma configuração mais eleitoral dos partidos, mais parlamentar. E com sérios problemas como vemos hoje no Congresso e noutros espaços de representação. Nós avançamos na construção disso, mas ainda de fato temos o desafio de construir um instrumento que, na figura do partido, recupere essa questão da pauta mais ampla e universal. A pauta dos movimentos sociais sem dúvida coloca questões importantíssimas para a nossa sociedade, mas não alcança a amplitude que o partido político tem condições de colocar.

Ainda no tema da hegemonia: são desafios para as organizações de esquerda o enfrentamento contra aparelhos como a mídia e o Poder Judiciário?
Eu gosto muito da reflexão que Gramsci faz sobre isso. Embora não tenha visto os grandes meios de comunicação, a televisão e tudo isso, Gramsci coloca que a hegemonia é um dos elementos-chave para a luta política, para a luta de classes, ou seja, a classe que quer se tornar dirigente precisa alcançar hegemonia.
Então, ela tem diferentes batalhas a serem travadas que não se limitam à esfera econômica, mas que se ampliam para a esfera política. Nesse sentido, existe uma batalha cultural a ser travada, em torno das expectativas e das possibilidades que essa sociedade tem de se compreender e enxergar suas contradições e, nesse sentido, a cultura é uma dimensão que tem essa potencialidade.
É uma dimensão que faz se reconhecer em sociedade, reconhecer suas contradições, e portanto uma batalha cultural faz parte de uma batalha por hegemonia. E daí os aparelhos ideológicos, culturais, artísticos, eles têm a função, como diria Gramsci, de criar uma nova cultura, de criar uma cultura na qual a gente se identifique como trabalhador, em que pense nas questões colocadas para a gente e ao mesmo tempo nos possibilite pensar alternativas também.
Então, penso que as lutas nesses espaços ideológicos, nos meios de comunicação, fazem parte hoje de um processo em que as pessoas são informadas e formadas também, não é só um processo de informação, mas de formação política, que precisamos garantir. É uma batalha completamente desigual, se pensamos na forma monopólica com que os meios de comunicação estão nas mãos de poucas famílias. Mas, como não é só uma questão quantitativa, de quantos meios de comunicação estão em nossas mãos, mas também qual é a qualidade desses meios, do que a gente consegue mostrar à sociedade, então acho que a gente tem uma força nesse sentido.

Dentro de uma outra categoria trabalhada por Gramsci, a universidade pode cumprir um papel na construção do intelectual orgânico?
Segundo Gramsci, todas as classes que se colocam no processo de luta política e enfrentamento, têm como desafio criar os seus intelectuais orgânicos, ou seja, aqueles que têm a tarefa de educar, organizar, dar uma unidade, uma coerência, na forma como a classe pensa sobre si mesma.
Então, esse intelectual orgânico é criado no interior do processo de luta política dessa classe. Não significa que esse intelectual orgânico nasceu nessa classe, mas ele se sente ligado a ela, ele tem as suas questões como motivações para sua luta, motivações para sua função de intelectual, então sem dúvida nenhuma esse é o desafio hoje, como as classes trabalhadoras conseguem organizar a sua luta política e nesse processo de luta criar seus próprios intelectuais.
Sem dúvida nenhuma, a universidade pode contribuir nesse processo. A universidade é um espaço de luta. É um espaço institucional, ligado ao Estado, não foi criada para as classes trabalhadoras. A história da universidade é a história da elite nesse país, foi pensada para formar intelectuais para a classe dominante. Então, a universidade hoje pode contribuir nesse processo, mas não podemos esperar que ela faça tudo, porque de fato ela tem limites na sua institucionalidade. Ela tem valores que não são os valores que a gente hoje tem no interior da classe trabalhadora, mas a universidade tem uma função essencial que é a função de levar o conhecimento que ela produz e que agrega para fora de si. Então nesse sentido podemos encontrar na Universidade um parceiro. Parcerias como essa aqui (Curso de especialização, parceria entre a UFES e a ENFF), de certa forma questionam a burocracia da universidade, os vícios acadêmicos, traz para dentro da universidade uma dinâmica dos movimentos sociais que, em si, a universidade nunca foi preparada para receber.

No Brasil convivemos com um Estado desenvolvido, mas o povo é sufocado em suas demandas mais básicas. Como podemos entender essa situação?
Florestan Fernandes fala que a condição de capitalismo dependente ela é própria desse tipo de sociedade, ela instaura essa característica. São sociedades que muitas vezes combinam o arcaico e o moderno, combinam o que há de mais atrasado, como a pobreza. Combina-se isso com desenvolvimento do capitalismo atrasado, um Estado moderno, com pautas políticas e econômicas que favorecem esses grupos dominantes. E Florestan (Fernandes) é muito rigoroso como sempre na sua obra quando ele diz que a dependência não é uma etapa dessa sociedade, ela é uma opção, um caminho encontrado essas sociedades para garantir esse desenvolvimento.
Então, não é contraditório pensar que uma sociedade avançada economicamente tem um nível social comprometido, na medida que isso está na lógica do capitalismo dependente, na lógica de um país que não colocou no seu processo de desenvolvimento o desafio da soberania nacional, da democracia, do desenvolvimento econômico. O fato de as nossas elites serem comprometidas com o grande capital internacional é que gerou essa contradição. Nesse contexto, a questão que Florestan coloca: ainda existem várias revoluções dentro da ordem para ser feitas, ainda existem reformas a serem feitas, de forma que prepare a classe trabalhadora para lutas mais significativas. 

Pedro Carrano, Vitória (ES), 29 de março de 2013

(Colaboração: Adelso Rocha Lima e Sidevaldo Miranda Costa)


segunda-feira, 18 de março de 2013

Toreo al alimón. Pablo Neruda y Federico García Lorca, dos bromistas geniales




Toreo al alimón

Hablando hoy sobre los viejos empresarios del mundo editorial y periodístico en el antiguo Buenos Aires, me acordé de Botana. Y por esas relaciones del pensamiento, en que un recuerdo lleva al otro, recordé una anécdota de las tantas del chileno Neruda.

Natalio Botana era nacionalizado argentino, y un “self-made” periodista, que en 1913 fundó, cuando solo tenía 25 años, un mito de proporciones insólitas, al menos para la época: el diario Crítica, que llegó a vender más de trescientos mil ejemplares por dia.

Se acordaba Pablo Neruda en sus memorias -“Confieso que he vivido”- de uno de sus muchos encuentros amorosos; uno que ocurrió en Buenos Aires, en la fastuosa casa de Natalio Botana. Acompañaba a Neruda el poeta español Federico García Lorca. La mujer era “alta, rubia y vaporosa, que dirigió sus ojos más a mí que a Federico durante la comida”.
Y vuelve Neruda a hablar del anfitrión de la noche del encuentro amoroso: Botana -que era rico, como puede serlo un rico argentino, dice Pablo en sus memorias- brillaba por ser un pionero en todos los géneros, fue el primero en incorporar a la diagramación del diario grandes fotos y dibujos; fue el primero también en ponerles un epígrafe; y también el primero en incluir en el periódico un suplemento deportivo, crear secciones especializadas, imprimir a todo color, agregarle una revista a la edición, mandar periodistas al interior del país o hasta el exterior en giras, denunciar los hechos de corrupción y anunciar las noticias disparando una sirena desde la azotea del edificio que construyó a la medida exacta de sus mega-sueños en plena Avenida de Mayo.
Allí, en su edifício de siete pisos, Botana tenía su propia rotativa, un gimnasio, un bar y hasta la peluquería de uso exclusivo de su personal.
Botana creó el primer proyecto multimedios de toda América Latina, juntando en una sola empresa todos los recursos tecnológicos de aquel momento: la prensa, radio, el noticioso cinematográfico y una productora de cine. Una audacia empresarial que empequeñece los modernos emprendimientos de hoy, ya que tenía una incomparable ventaja: toda la empresa dependía de un único dueño.
“Se trataba de un hombre rebelde y autodidacta que había hecho una fortuna fabulosa com un periódico sensacionalista”, escribe Pablo Neruda em su autobiografía. “Su casa, rodeada por un inmenso parque, era la encarnación de los sueños de un vibrante nuevo rico. Centenares de jaulas de faisanes de todos los colores y de todos los países orillaban el camino. La biblioteca estaba cubierta sólo de libros antiquísimos que compraba por cable en las subastas de bibliógrafos europeos, y además era extensa y estaba repleta. Pero lo más espectacular era que el piso de esta enorme sala de lectura se revestía totalmente con pieles de pantera cosidas unas a otras hasta formar un solo y gigantesco tapiz. Supe que el hombre tenía agentes en Africa, en Asia y en el Amazonas, destinados exclusivamente a recolectar pellejos de leopardos, ozelotes, gatos fenomenales, cuyos lunares estaban ahora brillando bajo mis pies en la fastuosa biblioteca. Así eran las cosas en la casa del famoso Natalio Botana, capitalista poderoso, dominador de la opinión pública en Buenos Aires”, sigue contando el poeta chileno, y ya entra en el tema de su nueva conquista: “Federico y yo nos sentamos a la mesa cerca del dueño de casa y frente a una poetisa alta, rubia y vaporosa, que dirigió sus ojos verdes más a mí que a Federico durante la comida”. Natalio Botana, como bien lo describe Neruda, era en aquellos años el amo y señor de la opinión pública argentina, algo que se repetiría en el futuro con otros nombres y otros intereses, seguramente menos folclóricos que los del anfitrión de los poetas en aquella noche de anécdotas.

Estaban entonces Pablo Neruda y su recién conquistada rubia, junto con el andaluz Federico García Lorca en el palacio particular de Botana. Luego de comer, sigilosamente, subieron los tres a la torre de la mansión. En lo alto del mirador, el chileno tomó románticamente a la poetisa entre sus brazos y empezó, sin demasiada ceremonia, a sacarle el vestido, ante la mirada curiosa, infantilmente divertida, de Federico G. Lorca.

Pablo Neruda lo mandó a Federico a que se pusiera de guardia en la escalera, y que le avisara, si acaso alguien subiera.
“—¡Largo de aquí! ¡Ándate y cuida de que no suba nadie por la escalera! —le grite” cuenta Neruda.
Y Federico corrió entusiasta a cumplir con la orden del don juan chileno, pero con tal apresuramiento que no pudo evitar caerse, rodando escaleras abajo. Neruda y su amiga debieron interrumpir los arrobos apasionados para ayudarlo al torpe de Federico, que se había lastimado una pierna y andaría rengueando durante unos buenos quince días.

Pero esta no fue la única chiquilinada perpetrada por los dos poetas: es que en 1933, Pablo Neruda había sido enviado al consulado de Chile en Buenos Aires, y allí empieza a conocer la fama internacional de su poesía. Y también conocerá a algunos destacados escritores argentinos. Pero el encuentro que fue más importante para el chileno, como cuenta Rodríguez Monegal en su “Neruda: El viajero inmóvil”, ocurre un día de octubre de ese año, cuando le presentan a Federico García Lorca, de paso por el Río de la Plata para el estreno de su “Bodas de sangre” por Lola Membrives.
La alegria natural de García Lorca, y el espíritu juguetón de Neruda convergieron entonces para dar un brillo de oro a la poesía hispánica del triste siglo XX, porque la personalidad avasalladora de Federico, que era seis años mayor que Neruda, y ya famosísimo, y la calidad recién alumbrada de Neruda se reconocen a primera vista, y se funden en una amistad que crea un puente perdurable entre las dos orillas de la nueva poesía en lengua española.
Para aprovechar mejor el encuentro , el PEN Club argentino organiza un homenaje a los dos poetas y ambos agradecen con un discurso en colaboración, llamado “al alimón”, sobre Rubén Darío, considerado el padre americano de la lírica hispánica del siglo.

Más tarde, Neruda recordaría com gracia la confusión de los asistentes al banquete al ver que, cada uno en una punta de la mesa, se levantaban García Lorca y Neruda, recitando alternadamente, lo que llevaba a los amigos a llamarlos para que pararan de discursar, pensando que uno estaba interrumpiendo el habla del otro, cuando en realidad se trataba de una travesura literaria más del brillante par de amigos:
(JV, São Paulo, marzo de 2013)


Discurso al alimón para Rubén Darío por Federico García Lorca y Pablo Neruda

Neruda:
Señoras...
Lorca:
y señores: Existe en la fiesta de los toros una suerte llamada "toreo al alimón" en que dos toreros hurtan su cuerpo al toro cogidos de la misma capa.
N.:
Federico y yo, amarrados por un alambre eléctrico, vamos a parear y a responder esta recepción muy decisiva.
L.:
Es costumbre en estas reuniones que los poetas muestren su palabra viva, plata o madera, y saluden con su voz propia a sus compañeros y amigos.
N.:
Pero nosotros vamos a establecer entre vosotros un muerto, un comensal viudo, oscuro en las tinieblas de una muerte más grande que otras muertes, viudo de la vida, de quien fuera en su hora marido deslumbrante. Nos vamos a esconder bajo su sombra ardiendo, vamos a repetir su nombre hasta que su poder salte del olvido.
L.:
Nosotros vamos, después de enviar nuestro abrazo con ternura de pingüino al delicado poeta Amado Villar, vamos a lanzar un gran hombre sobre el mantel, en la seguridad de que se han de romper las copas, han de saltar los tenedores, buscando el ojo que ellos ansían y un golpe de mar ha de manchar los manteles. Nosotros vamos a nombrar al poeta de América y de España: Rubén...
N.:
Darío.Porque, señoras...
L.:
y señores...
N.:
¿Dónde está, en Buenos Aires, la plaza de Rubén, Daríó?
L.:
¿Dónde está la estatua de Rubén Darío?
N.:
El amaba los parques. ¿Dónde está el parque Rubén Darío?
L.:
¿Dónde está la tienda de rosas de Rubén Darío?
N.:
¿Dónde esta el manzano y las manzanas de Rubén Darío?
L.:
¿Dónde está la mano cortada de Rubén Darío?
N.:
¿Dónde está el acento la resina, el cisne de Rubén Darío?
L.:
Rubén Darío duerme en su "Nicaragua natal" bajo su espantoso león de marmolina,  como esos leones que los ricos ponen en los portales de sus casas.
N.:
Un león de botica, a él, fundador de leones, un león sin estrellas a quien dedicaba estrellas.
L.:
Dio el rumor de la selva con un adjetivo, y como fray Luis de Granada, jefe de idioma, hizo signos estelares con el limón, y la pata de ciervo, y los moluscos llenos de terror e infinito: nos puso al mar con fragatas y sombras en las niñas de nuestros ojos y construyó un enorme paseo de Gin sobre la tarde más gris que ha tenido el cielo, y saludó de tú a tú el ábrego oscuro, todo pecho, como un poeta romántico, y puso la mano sobre el capitel corintio con una duda irónica y triste, de todas las épocas.
N.:
Merece su nombre rojo recordarlo en sus direcciones esenciales con sus terribles dolores del corazón, su incertidumbre incandescente, su descenso a los hospitales del infierno, su subida a los castillos de la fama, sus atributos de poeta grande, desde entonces y para siempre e imprescindible.
L.:
Como poeta español enseñó en España a los viejos maestros y a los niños, con un sentido de universalidad y de generosidad que hace falta en los poetas actuales. Enseñó a Valle Inclán y a Juan Ramón Jiménez, y a los hermanos Machado, y su voz fue agua y salitre, en el surco del venerable idioma. Desde Rodrigo Caro a los Argensolas o don Juan Arguijo no había tenido el español fiestas de palabras, choques de consonantes, luces y forma como en Rubén Darío. Desde el paisaje de Velázquez y la hoguera de Goya y desde la melancolía de Quevedo al culto color manzana de las payesas mallorquinas, Daríó paseó la tierra de España como su propia tierra.
N.:
Lo trajo a Chile una marea, el mar caliente del Norte, y lo dejó allí el mar, abandonado en costa dura y dentada, y el océano lo golpeaba con espumas y campanas, y el viento negro de Valparaíso lo llenaba de sal sonora. Hagamos esta noche su estatua con el aire, atravesada por el humo y la voz y por las circunstancias, y por la vida, como ésta su poética magnífica, atravesada por sueños y sonidos.
L.:
Pero sobre esta estatua de aire yo quiero poner su sangre como un ramo de coral, agitado por la marea, sus nervios idénticos a la fotografía de un grupo de rayos, su cabeza de minotauro, donde la nieve gongorina es pintada por un vuelo de colibrís, sus ojos vagos y ausentes de millonario de lágrimas, y también sus defectos. Las estanterías comidas ya por los jaramagos, donde suenan vacíos de flauta, las botellas de coñac de su dramática embriaguez, y su mal gusto encantador, y sus ripios descarados que llenan de humanidad la muchedumbre de sus versos. Fuera de normas, formas y escuelas queda en pie la fecunda substancia de su gran poesía.
N.:
Federico García Lorca, español, y yo, chileno, declinamos la responsabilidad de esta noche de camaradas, hacia esa gran sombra que cantó más altamente que nosotros, y saludó con voz inusitada a la tierra argentina que pisamos.
L.:
Pablo Neruda, chileno, y yo, español, coincidimos en el idioma y en el gran poeta, nicaragüense, argentino, chileno y español, Rubén Darío.
N.: y L.:
Por cuyo homenaje y gloria levantamos nuestro vaso.
(Publicado en El Sol, Madrid, 1934)

terça-feira, 12 de março de 2013

El Papa de los Borgia, Pío XII y el principado de Fantasyland






Fernando Vallejo ya lo cuenta, y muy bien, en su obra La puta de Babilonia. El Papa Borgia padeció una gran injustica por parte de los historiadores y la leyenda negra que le crearon, aunque esta leyenda negra sea la más pura verdad. Es que el pobre Borgia se queda con la fama del papa más malo de la historia y no es cierto.
El que tiene el título de canalla más grande de todos los tiempos en la despiadada historia de la iglesia católica es Eugenio Pacelli, o Pío XII, y si nadie lo sospechó durante la 2ª guerra, entre 1939 y 1845, ahora ya lo sabemos bien, gracias a La puta de Babilonia , un libro histórico sobre la Iglesia católica, escrito por el colombiano Fernando Vallejo y publicado por la Editorial Planeta Mexicana en el año 2007.
Una declaración sobre el contenido del tal libro, de José Saramago dijo, en una entrevista sobre las polémicas en las que anduvo metido con el lanzamiento de su Caín en el 2009, y sobre si La puta de Babilonia  podría causar la misma controversia en España,: "No, en España, no. Allí apareció recientemente un libro de Fernando Vallejo, La puta de Babilonia, el cual, de haber sido yo quien lo escribiera aquí en Portugal, ya me tendrían en la picota pública, colgando de un poste de avenida. Es de una denuncia cáustica y de auténtica crítica demoledora".

Pío XII, Eugenio Pacelli, a mi entender, lo sobrepasa al Papa Borgia con su colaboración con el nazismo de Hitler, los fascismos de Mussolini, Francisco Franco, Antonescu, Petain y Ante Palevic.
Palevic creó en Croacia los campos de exterminio más terroríficos de la 2ª guerra mundial, y tanto fue el horror que los mismos nazis protestaron por la crueldad de las “ustachi” croatas y de los franciscanos colaboracionistas con la masacre. Como e el campo de exterminio de Josanovac, dirigido por un franciscano, el padre Draghonovic. Y Pío XII no vio nada de todo eso.

Pero volvamos al Papa de los Borgia, según Vallejo nos cuenta:
Calumniado como Nerón, vilipendiado hasta por los historiadores más serviles de la Puta, dicen que Alejandro VI fue el papa más malo. ¿Y cómo lo miden? ¿Por las amantes que se consiguió? ¿Por los hijos que engendró? ¿Por la protección que les dio? ¿Por los cardenales que sobornó? ¿Por las indulgencias que vendió? ¿Por las fiestas putanescas que dio? ¡Y quién no! ¡Todo ello es tan papal, tan humano! Está en el orden natural de las cosas: los pájaros vuelan, el río fluye, el viento sopla. Que quemó a Savonarola. ¡Y sí! Dónde no lo hubiera quemado, este Calvino ayatolá lo habría quemado a él. ¿Que compró un cónclave? ¡Cuántos de sus predecesores y sucesores no han comprado cónclaves! ¡Los venden con todo y paloma! ¿Que vendió indulgencias? ¡Y qué tendero no vende! ¿Que se parrandeó hasta su último aliento el pontificado? Beatus ille! Si a usted le parece mal, cuando lo elijan papa no se lo parrandee a lo Borgia: haga la caridad, recoja niños de la calle, quiera a los pobres. Entre los veintidós purpurados del Colegio cardenalicio que lo eligió él era el segundo en riqueza: compró a diecisiete, entre los cuales el cardenal de Venecia, de 96 años, que le costó cinco mil ducados, y el cardenal Sforza que le costó cuatro mulas cargadas de oro. Pues bien, de los cinco cardenales que no se vendieron, dos a su vez se hicieron elegir papas: Piccolomini, o Pío III, el inmediato sucesor de Borgia y que sólo reinó diecisiete días ya que murió “de gota”.

Pero, además de lo que nos cuenta ahora Fernando Vallejo –y muchos de nosotros ya lo habíamos oído en la escuela de curas, de boca de los propios padres católicos- que Rodrigo Borja, el valenciano, o Borgia, o Alejandro VI, no era un psicópata como otros papas, sino apenas un hombre de negocios –del mercado”, diríamos hoy-.
Lo del Papa Borgia no era personal. Llegó al poder gracias al nepotismo y lo mantendría por medio de él, ascendiendo dentro de la estructura de la Iglesia Católica gracias a su relación con el papa Calixto III, de quien era sobrino. Esta relación familiar le abrió acceso al rango de cardenal diácono y a numerosos cargos de gran importancia dentro y fuera de la Curia Romana, que le permitieron hacer influencias políticas y prestigio suficientes para, finalmente, llegar al trono pontificio en 1492 - para más datos, el mismo año en que los Reyes Católicos expulsaron a los moros de España, tomaron todo el territorio ibérico, descubrieron América, y enseguida sacaron violentamente a los judíos de su reino unificado-.

Una vez papa, el Borgia Alejandro VI, desencadenó situaciones políticas llenas de intrigas y traiciones entre los poderes europeos. A través de alianzas políticas y conspiraciones hizo que su familia se consolidase en la nobleza italiana y acrecentó su poderío, en conjunto con sus hijos, Juan, César, Lucrecia y Jofre, otros instrumentos de sus maquinaciones políticas.
Por medio de la Guerra italiana de 1494 a 1498, y la de Nápoles, de 1501 a 1504, se las arregló para asegurar su poderío y agrandarlo, aprovechándose de las rivalidades entre las potencias europeas y las tensiones políticas entre las familias de la aristocracia continental, consiguiendo en los 11 años de su papado subir hasta la cima del poder en la península itálica.
Pero las mismas intrigas que le sirvieron para llevar a los Borgia a la cima, lo llevaron a su destrucción:  todo el poder obtenido, inclusive el éxito militar de César Borgia, giraba en torno al Vaticano y dependía de la permanencia de Alejandro VI en el poder por lo que, a su muerte, la enorme cantidad de condados, principados y territorios que los Borgia habían dominado, se derrumbó, sellando el destino de César Borgia, que moriría cinco años después en 1507, sepultando la era de los Borgia y su dinastía.

Si comparamos al inteligente papa valenciano con su predecesor, Cybo, o Inocencio VIII –el papa de la poderosa familia Orsini- veremos que este poseía las características comunes de los papas de la época. Según Eric Frattini y otros autores, como  Karlheinz Deschner, era homosexual y bisexual, mujeriego y encubridor de violaciones, y misógino asesino de mujeres. Todo un currículo, acorde a los “meritos cristianos”.
Pero lo que lo destacó a Cybo - Inocencio VIII- fue la matanza de mujeres que organizó con su bula contra la brujería, una atrocidad que duró varios siglos. Después de la Guerra de los Treinta años, se construyeron hornos para matar mujeres a fuego lento, la mayoría adolescentes.
Cybo autorizó a dos frailes fanáticos y crueles a que escribieran un tratado tortura de mujeres, sobre cómo matarlas y quitarles sus propiedades, aunque los hombres tampoco se salvaron, probablemente para disimular las verdaderas intenciones misóginas de estos dos psicópatas, reprimidos y torturados sexualmente.
Para quién no lo sepa, a fines del siglo XIV y durante todo el siglo XV, se desataron procesos contra la brujería y se escribieron libros sobre el tema. Entre 1320 y 1420 se publicaron trece tratados sobre la hechicería, y veintiocho entre "El Hormiguero" de 1435 a 1437, del prior de los dominicos de Basilea Jean Nider, y "El martillo de las brujas", aparecido en 1486. El de Jean Nider, fue la primera obra demonológica que trató de las mujeres en la hechicería: eran ellas las que fabricaban filtros de amor, robaban niños y practicaban la antropofagia.

En el invierno europeo de 1486 a 1487, poco después de la bula de Inocencio VIII (o Cybo, de quién hablábamos un poco más arriba, anterior al Papa Borgia) en la que pedía a los obispos alemanes que reforzaran la lucha contra la brujería, apareció el famoso libro "El martillo de las brujas", escrito por dos inquisidores dominicos alemanes, Heinrich Institoris y Jakob Sprenger –los depravados que mencioné más arriba-. El libro tuvo un éxito inmediato, y se imprimieron 14 ediciones entre 1487 y 1520. Centraba casi exclusivamente en el papel de la mujer en la secta diabólica.

Según "El martillo de las brujas", los hombres eran atacados por la locura amorosa y sufrían la impotencia masculina. Las brujas –cualquier mujer- generaban la frigidez femenina, la esterilidad, los abortos, los adulterios, y la fornicación. El maleficio provenía de la mujer, pues para traicionar la fe, la mujer estaba “predispuesta por su credulidad, su débil inteligencia y su impresionabilidad”. Había que conocer la magia y la mujer lo hacía “por medio del chisme, lo que le era propio”. Al entregarse sin moderación a los celos y a la cólera, “la débil voluntad de la mujer era capaz de bajezas morales”. Las mujeres, “insaciables en el plano sexual, podían hacerlo perfectamente”.

El inquisidor debía usar todos los medios a su alcance para hacer confesar a la bruja. Desde la astucia hasta la tortura.

1° El primer punto: el juez no debe apresurarse a someter a la bruja al tormento. Al contrario, debe observar ciertos signos [...]
2° El segundo, el juez debe ser cuidadoso en dictar su sentencia de tortura del siguiente modo: "Hemos encontrado que tus confesiones son inciertas. Dices, por ejemplo, que has hecho amenazas sin intención de perjudicar. Sin embargo, hay indicios suficientes para someterte al tormento y a la tortura[...]

El papa Borgia como ya dije antes, nunca habría montado semejante atrocidad. Él tenía sentido del negocio, pues era un “hombre de honor”. Por este sentido del negocio, dejaba que los judíos llegaran a Roma a refugiarse -a cambio de dinero- de las persecuciones que estaban muy de moda en la España de sus aliados, Isabel y Fernando, los Reyes Católicos. No tenía nada contra los judíos. Solo negocios. Él ya cumplía con creces con la tradición del papado pues era un violador y sado-masoquista, pederasta, incestuoso con la propia hija, fetichista, mujeriego, voyerista, organizador de grandes orgías, corruptor de menores, alcoholista, sifilítico, nepotista y vendedor de indulgencias.
Borgia, el papa Alejandro VI mató a Savonarola, es verdad, un fanático peligroso al que también le complacía matar a los otros. Le amargaba la vida al Papa Borgia con sus pregones puritanos y retrógrados sobre la corrupción del papado, que ya andaba lo suficientemente ocupado en tratar de recuperar la inversión para llegar al trono de San Pedro. Lo sacó del medio haciéndole probar al fraile integrista su propio amargo remedio.
El Papa Borgia, por ser español, extranjero en Italia, tuvo que pagar muy caro para imponerse, y según Michael Walsch, para su elección invirtió con el cardenal Orsini sus castillos de Monticelli y Sariani, y con el cardenal Sforza un pago alto en monedas de plata y el título de canciller de la Iglesia; al cardenal Colonna lo compró con la abadía de San Benito, y al cardenal de Sant´Angelo con el obispado de Porto, su castillo, la abadía y sus bodegas; al cardenal Savelli le pagó con toda la ciudad de Civita Castelana, y al cardenal Gerardi de Venecia lo sobornó con cincuenta mil ducados. Y además, le ofreció su hija Lucrecia, entonces con doce años. Puros negocios, sin crueldades innecesarias.

Pero la buena fe comercial de los papas de los años de 1492 con los judíos se terminó con el conclave que eligió a Eugenio Pacelli, Pío XII.
El aristócrata Eugenio Pacelli ayudó a Hitler a llegar al poder, apartando de la política  alemana al partido católico Zentrum a cambio del 10% de la recaudación de los impuestos alemanes y el monopolio de la enseñanza. Mientras los nazis matabann seis millones de judíos, Pacelli-Pío XII seguía muy callado. El cardenal francés Tisserant planeaba ir detrás de las tropas nazis en la invasión a Rusia, quitándoles los bienes a los infieles soviéticos, evangelizando a los herejes. Con los nazis haciendo su trabajo, con éxito hasta entonces, seguro que algo parecido a la Inquisición se podría armar, como en la España de Franco. Toda Italia se volvió un gran auto de fe, contra comunistas, masones, pobres, anticlericales, maestros, y opositores a los fascistas eran delatados por ajustes de cuentas y envidias. Y Pío XII no veía nada.

Pero, volviendo a la comparación del Papa de los Borgia con Pacelli: antisemita de pura cepa, Borgia solo mataba cuando tenía que hacerlo por negocios, y no se ensañaba con las víctimas.
Al contrario de Pacelli o Pío XII, mientras los “usthaci” de Croacia exterminaban a los judíos y gitanos, a los serbios ortodoxos les reservaron otros tratamientos especiales.
Alegan sus defensores que Pío XII no se animaba a criticar el genocidio contra los judíos por miedo a Hitler. Pero ¿y sobre los “ustachi” y los dictadores fascistas de Eslovaquia?

El Papa Borgia mostró talento cuando los franceses se metieron en Italia llevados por la ambición de Guiliano della Rovere, que contaba con el apoyo francés para ser papa. Rodrigo Borgia se las arregló bien cuando llegó el ejército francés del rey Carlos que se dirigía a quitarle el trono papal, al desviarlo a Nápoles, donde mandaba el rey Ferrante, otro personaje cruel, que sobrepasaba los parámetros de la época. Lo manda a Carlos a Nápoles y lo engaña para que no ataque Roma. Luego pacta con los españoles y se olvida de los franceses.

Rodrigo Borgia resulta así, injustamente, el papa más malvado de la historia mientras Cybo y Pacelli, psicópatas fanáticos y crueles pasan inadvertidos. Algunas almas cándidas le pedían a Pacelli que condenara a Hitler, pero Pío XII nunca lo hizo. 

JV, São Paulo, marzo de 2013.